Após viver o auge de sua carreira, a cantora britânica conseguiu se firmar como uma das principais vozes globais, conquistando milhões de fãs ao redor do mundo.
Por: Julia Segre Data: 31/08/2025 Atualizado em: 09/09/2025
Após o sucesso estrondoso de seu segundo álbum, 21, Adele se tornou uma artista multipremiada. A cantora britânica, que havia estreado no cenário musical no ano de 2008, com seu álbum de estreia 19 já havia tido uma recepção muito calorosa da crítica especializada, ganhando dois grammys com seu trabalho inicial, um como “Melhor Artista Revelação” e o outro como “Melhor Performance Vocal Pop Feminina” com a música Chasing Pavements.
Apesar disso, foi o álbum 21 que definitivamente alavancou a carreira da cantora e a tornou uma artista mundialmente conhecida. Ganhando sete grammys em uma única noite 21 foi o álbum mais vendido da década de 2010 e o quarto álbum mais vendido de todos os tempos. 21 liderou as paradas musicais em mais de 30 países. Com hits que se tornaram clássicos como Rolling In The Deep, Someone Like You e Set Fire To The Rain, o 21 se tornou a obra prima de Adele e consolidou a sua carreira.
Foto 01: Adele recebendo Grammys por seu trabalho em 21.
Muitos críticos, no entanto, acreditavam que Adele nunca mais seria capaz de replicar tamanho sucesso comercial como houve em 21. Outros disseram que ela nunca mais publicaria nenhum trabalho, devido ao grande tempo de pausa que a cantora fez entre um álbum e outro.
Nesse meio tempo, no entanto, Adele publicou o trabalho: Skyfall, uma canção feita exclusivamente para o filme 007- Operação SkyfalL. A música foi muito bem recebida tanto pelo público quanto pela crítica, ganhando um Oscar, um Globo de Ouro e um Grammy, o que só indicava que o sucesso absoluto de 21 não foi apenas uma sorte de principiante.
Foto 02: Capa do hit Skyfall
A expectativa para o lançamento do próximo álbum da cantora estava extremamente alta, e o anúncio de 25, feito de forma totalmente repentina, só deixou o público mais fervoroso a respeito do que a britânica estaria preparando para o futuro.
Anunciado sem aviso, no meio do comercial do programa britânico X-Factor, o 25 foi promovido em meio a uma tela totalmente preta, sem nenhuma imagem ou som, até a voz de Adele surgir com uma frase simples e sutil, que mais tarde se tornaria uma verdadeira marca registrada da cantora: “Hello, it’s me.”
Foto 02: Capa do álbum 25.
Neste artigo, vamos entender como o terceiro álbum de estúdio da cantora Adele- tão multipremiado como os dois primeiros- nos mostra a reafirmação do sucesso da britânica, que segue conquistando o mundo com sua voz única e seus trabalhos autobiográficos.
01.Hello
A canção "Hello" não poderia ter sido recebida com mais entusiasmo e ansiedade por parte dos fãs e também da crítica especializada, uma vez que esta canção foi escolhida no anúncio do álbum 25, no horário nobre da televisão britânica.
Iniciando da mesma forma que o anúncio original, com a famosa frase "Hello, it's me", a canção é uma confissão de vulnerabilidade. Adele já revelou em entrevistas que Hello é uma canção para o seu eu mais jovem, mas também pode servir como alguém que tenta se redimir dos erros do passado. Uma pessoa perfeitamente ciente dos danos causados, e que gostaria de reparar isso de alguma maneira, embora saiba que isso não "Claramente não te machuca mais." (It clearly doesn't tear you apart anymore.)
Com um clipe preto e branco e uma Adele tentando, de todas as formas, se reconectar com o passado deixado para trás enquanto realiza inúmeras ligações, inferindo que "They say the times supposed to heal ya, but ain't done much healing" (Eles dizem que o tempo deveria te curar, mas eu não me curei nem um pouco).
Foto 03: Adele no vídeoclipe "Hello".
O eu lírico admite a culpa a respeito do término da relação, enquanto tenta se contentar apenas com a iniciativa, ainda que mal sucedida, de tentar uma reconciliação. "At least i can say that i've tried" (Ao menos eu posso dizer que tentei).
Foto 04:Adele ao telefone no vídeoclipe de "Hello".
E quando digo "reconciliação", não estou me referindo a reatar o relacionamento, e sim ao perdão, no mais puro e genuíno sentido da palavra.
A repetição do coral na ponte da música, highs e lows (Altos e baixos) pode simbolizar o remorso que o eu lírico sente ao perceber que machucou uma pessoa querida e a culpa que sente por saber que foi o responsável por tornar aquele desfecho tão triste e melancólico.
Isso também pode ser relacionado com a cabine telefônica abandonada no videoclipe, simbolizando toda essa situação desgastante caracterizada por culpa, remorso e redenção, mesmo que unilateral.
Foto 05: Cabine telefônica no clipe de "Hello".
Hello ganhou inúmeros prêmios após o seu lançamento, incluindo três grammys nas categorias de Gravação do Ano, Canção do Ano e Melhor performance Pop Solo, além do Prêmio Juno para vídeo do ano.
Além disso, Hello também bateu o recorde de videoclipe que alcançou mais rapidamente os dez dígitos de visualizações, superando o recorde anterior que pertencia a Gangnam Style, levando apenas oitenta e sete dias para bater um bilhão de visualizações no Youtube, fazendo com que o 25 tivesse um dos mais bem sucedidos inícios de toda a história da indústria musical.
02.Send My Love (To your new lover)
A segunda faixa de 25, que trás consigo um instrumental suave e um vídeoclipe simples, com Adele sozinha em um fundo completamente preto, Send My Love é uma música de superação, que ilustra uma forma madura de se encerrar um relacionamento.
Foto 06: Inicio do clipe de "Send My Love".
A música nasceu de um rascunho de uma canção antiga, que foi reformulada a fim de transmitir uma mensagem de perdão e aceitação.
Na letra, Adele canta sobre reconhecer as partes boas e ruins do relacionamento, caracterizado, assim como a própria vida humana, por altos e baixos.
Trechos como: "I was running, you were walking, you couldn't keep up, you were falling down" (Eu estava correndo, você estava andando. Você não conseguia me acompanhar, você estava desmoronando) e "You set me free" (Você me libertou) reforçam esse sentimento e essa dualidade presente na letra da canção.
Em meio a uma evidente ausência e rancor, chegando até mesmo ao desapego, Adele defende que é possível encerrar ciclos sem mágoas, com leveza e até desejando o bem ao outro, ao mesmo tempo que as diversas imagens da artistas sobrepostas ao final do videoclipe sugerem a libertação dos "fantasmas" e das marcas deixadas pelo relacionamento, conforme descrito no trecho: "We've gotta let go of all our ghosts, we both know we ain't kids no more." (Nós temos que nos libertar de todos os nossos fantasmas, nós dois sabemos que não somos mais crianças.)
Foto 07: Imagens sobrepostas no clipe de "Send My Love".
03.I Miss You
Em I Miss You vemos o álbum ganhando mais intensidade em sua sonoridade, uma vez que 25 abre com uma balada melancólica e prossegue seu caminho com uma canção de desapego emocional.
Seguindo uma lógica totalmente inversa de sua vizinha Send My Love, I Miss You é uma canção que fala sobre o ato de se entregar completamente e verdadeiramente a outro alguém. Trechos como "Bring your heart and i'll bring my soul" (Traga seu coração e eu trarei a minha alma) e "I wanna step into your great unknown" (Eu quero entrar no seu grande desconhecido) exemplificam essa ideia de se entregar de corpo e alma a um relacionamento onde ambas as partes se doam intensamente, muito além dos prazeres momentâneos de um momento carnal.
Foto 08: Foto promocional de Adele durante o álbum 25.
Adele já admitiu que escreveu a música enquanto refletia a maneira como tanto o sexo em si como as discussões são momentos de grande proximidade em um relacionamento, como mundos colidindo entre si. Ao aproximar esses antônimos e trazer essa dualidade, a cantora narra a dependência de um tópico para o outro, inferindo que é impossível ter uma coisa quando já se tem a outra.
Essa crença também pode ser identificada na letra da canção, quando Adele pede repetidas vezes ao longo da letra: "Baby, don't let the lights go down" (Amor, não deixe que as luzes se apaguem) e "Give me light" (Me dê luz", além do desabafo presente no inicio do refrão: "I miss you when the lights go out, it illuminates all of my doubts" (Sinto sua falta quando as luzes se apagam, isso ilumina todas as minhas dúvidas), mas principalmente na ponte da canção, onde ela admite: "We play so dirty in the dark, cause we are living worlds apart. It only makes it harder baby." (Nós jogamos tão sujo no escuro, por que estamos vivendo em mundos separados. Isso só faz com que seja mais difícil, amor), o que torna o pedido para que as luzes não se apaguem uma barganha para que a conexão não se perca devido a brigas e discussões que resultam em isolamento e distância emocional.
04.When We Were Young
Tendo sido lançada em sua versão em estúdio, e em um outro vídeo com uma performance ao vivo, tão perfeita que parece até mesmo ser idêntica a original, When We Were Young é, nas palavras da própria Adele, "Uma reflexão sobre a nostalgia da juventude e a responsabilidade da vida adulta.", sendo uma das faixas preferidas da cantora.
Foto 09: Adele no clipe da sessão ao vivo de "When we were young"
A canção parece se encaixar perfeitamente na proposta do álbum 25, uma vez que oferece um verdadeiro paradoxo do tempo, que parece acompanhar a vida pessoal da cantora na construção de cada faixa, uma vez que, na época do lançamento do álbum, estava experimentando a maternidade em detrimento de sua vida pessoal e professional.
Percebemos na letra o reencontro do eu lírico com alguém marcante de seu passado, misturando nostalgia, mágoa, saudade, alegria e tristeza em um único movimento, tamanha profundidade que a letra oferece.
Essa mesma letra, acompanhada de um instrumental suave, é capaz de emocionar o mais frio dos ouvintes. Na canção, Adele expressa o desejo de congelar aquele momento especial em meio a sua tentativa de reviver e preservar o que foi perdido com o tempo, como no refrão: "Let me photograph you in this light, in case it is the last time, that we might be exactly like we were" (Deixe-me te fotografar nessa luz, caso essa seja a última vez que podemos ser exatamente como éramos.)
Foto 10: Adele alcançando a nota mais alta de "We Were Young".
A grande lição dessa canção é que o tempo pode até mesmo afastar pessoas, mas nunca as suas memórias, e as marcas deixadas por elas. E por mais que o passado fique estático diante do presente e do futuro que nos aguarda, ele ainda tem o poder de reacender sentimentos antigos com a mesma intensidade daqueles que acabaram de ocorrer.
05. Remedy
Remedy é uma emocionante canção que narra um amor presente em todos os momentos, capaz de curar feridas e oferecer abrigo e proteção em meio aos conflitos e problemas da vida.
Adele já declarou em entrevistas que esta canção foi escrita para seu filho Angelo, na época com três anos de idade. Sendo uma das canções mais íntimas da cantora, percebemos o amor de mãe se manifestando conforme a letra vai se desdobrando, em trechos como: "No river is too wide or too deep for me to swim to you" (Nenhum rio é largo ou profundo demais para me impedir de nadar até você) e "Your love it's my truth, and i will always love you" (Seu amor é a minha verdade, e eu sempre vou amar você).
Foto 11: Adele na era 25.
Esta linda declaração de amor resiliente a Angelo foi apenas o primeiro de muitos trabalhos da cantora em relação ao seu filho. Em entrevistas, Adele já admitiu ter feito "músicas suficientes para encher dois álbuns" sobre Angelo, mas admitiu que tais músicas nunca virão a público por ser "chato demais".
No entanto, futuramente, seu álbum de estúdio 30 revelaria muitas outras canções endereçadas ao pequeno, agora com nove anos, como "Easy on me", "To be Loved" e "My Little Love", com direito a participação do próprio Angelo nessa faixa especial.
Em entrevista a Oprah, Adele confessa que tudo o que mais sonha e deseja para o seu filho é que ele seja "Uma boa pessoa, uma pessoa boa e feliz.". Mesmo sabendo que a vida não pode ser preenchida apenas com bons momentos, Adele exalta, em meio a Remedy, um abrigo em meio a tempestade, um verdadeiro remédio para as dificuldades, proporcionados pelo poder que apenas o amor de mãe é capaz de proporcionar.
06.Water Under The Bridge
Trazendo uma sonoridade completamente diferente daquela que estamos acostumados a ouvir em suas canções, Adele inova com o single Water Under The Bridge enquanto canta a respeito de um amor que não deve ser rompido pelos conflitos e problemas que se levantam contra eles a medida que vão seguindo com a relação.
Foto 13: Adele na era 25.
Adele descreve e enxerga o amor fora das idealizações. Admite que a relação tem problemas, mas tem maturidade e disposição suficientes para resolver cada questão, por que o amor que ela sente é muito maior do que qualquer conflito pequeno e insignificante. Trechos como: “If you’re not the one for me, they how come i can bring you to your knees?” (Se você não é a pessoa certa para mim, então como eu posso te deixar de joelhos?) e “And if i’m not the one for you, you’ve gotta stop holding me the way you do” (E se eu não sou a pessoa certa para você, você tem que parar de me segurar da forma que você faz).
Ao descrever o amor verdadeiro, o único capaz de vencer as adversidades, a cantora trás a contradição do famoso ditado inglês: Forgiven and Forgotten (Perdoado e esquecido) ao cantar: “Say that our love ain’t water under the bridge” (Diga que o nosso amor não são águas passadas), a mesma medida que expressa o seu desejo de que seu parceiro supere os obstáculos junto com ela, deixando de lado discussões e brigas para focar naquilo que realmente é importante no meio do relacionamento, desejo que fica expresso pelo pedido sutil: “Don’t pretend that you don’t want me” (Não finja que você não me quer.)
07.River Lea
Com uma retomada interessante ao seu trabalho de estreia, 19, Adele trás uma referência a sua infância e adolescência na famigerada canção River Lea.
Contendo o nome do rio que ficava próximo a sua residência, Totteham, em seu título, River Lea é uma canção de autosabotagem. A própria cantora já revelou que tinha o costume de culpar o ambiente em que ela cresceu por todas as suas falhas e defeitos, e agora Adele trabalha com este trauma e ao mesmo tempo o supera na letra da música, enquanto associa o Rio Lea com o seu próprio interior. “There was something in the water, now that something’s in me” (Havia algo na água, agora há algo em mim.)“But it’s on my roots, in my veins, in my blood, and i stain every heart that i use to heal the pain“ (Mas está nas minhas raízes, em minhas veias, no meu sangue, e eu mancho cada coração que eu uso para curar o sofrimento.) "So I blame on the River Lea” (Então eu culpo o Rio Lea)
Foto 14: Rio Lea, Totteham- Inglaterra.
Ao cantar trechos como: “I’m scared to death if i let you in that you’ll see i’m just a fake.” (Estou morrendo de medo de deixar você entrar e perceber que eu sou só uma farsa) e “Consider this my apology, i know it’s years in advance, but i would rather say it now in case i never get the chance” (Considere isso meu pedido de desculpas, eu sei que são anos de antecedência, mas eu prefiro dizer isso agora, caso eu nunca tenha a chance.) evidenciam a canção na qual o eu lírico tenta transmitir as marcas profundas que carrega no passado e que, por não terem sido totalmente curadas, acabam afetando todos aqueles que se aproximam dele.
Foto 15: Foto promocional de Adele para 25.
Em suma, River Lea pode ser considerada uma canção sobre aceitar as próprias raízes e seguir em frente com as coisas boas e ruins que ocorreram no passado, conciliando-as com o presente e sem nunca deixar de torcer e esperar por um futuro.
08.Love In The Dark
Faixa que mas tarde passaria a atender como uma das canções mais conhecidas de Adele, especialmente após ter se popularizado em plataformas de vídeos curtos como o Tiktok, Love In The Dark é uma canção na qual o eu lírico procura encerrar um relacionamento que já perdeu o sentido.
Em meio a um término inevitável, Adele canta sobre assumir a responsabilidade de causar um sofrimento momentâneo ao tomar a iniciativa de pedir pela separação, sabendo que esse sofrimento irá prevenir uma dor ainda maior no futuro. “I’m being cruel to be kind “ (Estou sendo cruel para ser gentil).
Foto 16: Adele em 25.
Há fortes indícios de que a canção tenha sido escrita para Simon Konecki, ex-marido da cantora, com quem ela definitivamente romperia o relacionamento em 2021, após alguns anos do lançamento de 25. Trechos como: “You have given me something that i can’t live without” (Você me deu algo sem o qual eu não consigo viver, o que muitos fãs relacionaram a Angelo, filho da cantora) e “But i don’t want to carry on like everything is fine. The longer we ignore it all, the more that we will fight” (Mas eu não quero seguir fingindo que está tudo bem. Quanto mais ignorarmos isso, mais iremos brigar) e a famosíssima frase: “But i want to live and not just survive” (Mas eu quero viver, e não sobreviver) se conectam com alguns dos trabalhos futuros da cantora, que mais tarde revelaria: “To be loved and love at the highest count means to lose all the things i can’t live without, let it be kniown that i will choose to lose. It’s a sacrifice, but i can’t live a live, let it be known that i tried” (Ser amada e amar ao máximo significa perder todas as coisas sem as quais não posso viver. Que saibam que eu irei escolher perder. É um sacrífico, mas não posso viver uma mentira. Que saibam, que saibam que eu tentei.)
Se tratando de Konecki ou não, Love In The Dark é uma música que também fala de autodescoberta. Nela, o eu lírico desvenda uma parte de si mesma que não tinha acesso e de repente se vê grande demais para permanecer naquela relação. A moral da canção é que as vezes mudanças são necessárias, e que nem mesmo sentimentos como amor e consideração podem nos impedir de prosseguir os caminhos que estamos destinados a percorrer.
09. All I Ask
Contando apenas com um piano solitário em sua melodia, All I Ask é uma carta de despedida endereçada a alguém com quem o eu lírico acabou de encerrar um relacionamento.
A letra demonstra a vontade de transformar aquele adeus em algo inesquecível. "Let this be the way we remember us" (Deixe isso ser como iremos lembrar de nós) e o famoso refrão: "All i ask is if this is my last night with you, hold me like i'm more than just a friend. Give me a memory i can use" (Tudo o que eu peço é: se esta é a minha última noite com você, me abrace como se eu fosse mais que uma amiga, me dê uma memória que eu possa usar).
Foto 17: Adele em 25.
A história por trás da composição desta música é, na verdade bastante conhecida; a letra de All I Ask foi escrita em colaboração com o cantor havaiano Bruno Mars.
A canção foi escrita em um único encontro, e inicialmente Mars estava vindo para colaborar em uma canção alegre, o que acaba sendo até um pouco irônico ao nos depararmos com o resultado final que a canção alcançou. A parceira inesperada acabou rendendo frutos rapidamente, e a canção ficou pronta em um único dia.
Foto 18: Adele e Bruno Mars.
Ambos já revelaram que durante o processo de composição ocorreu uma pequena divergência criatva entre os dois cantores envolvendo o trecho: "Take by the hand while we do what lovers do" (Me pegue pela mão enquanto fazemos o que amantes fazem). Segundo Mars, ninguém mais usaria a palavra "amantes", mas Adele insistiu para que o trecho fosse para a versão final.
Após o sucesso da faixa, ambos foram a público trocar elogios e falar um pouco mais sobre o processo de construção de All I Ask. "Assim que fizemos alguns acordes que ela gostou, começamos a nos entender, e foi daí que veio a música. Ela é incrível. Houve um momento em que ela estava cantando na cabinne e não estou exagerando, á água estava vibrando...tipo aquela cena de Jurrasic Park, sabe? Ela é uma superestrela." Diz Bruno, em resposta a uma entrevista que Adele realizou alguns meses antes, declarando que Mars era capaz de fazer qualquer coisa, e que na opinião da britânica, Bruno seria o "Maior artista do mundo".
Foto 19: Bruno Mars performando "All I Ask".
10. Sweetest Devotion
Sweetest Devotion é, assim como Remedy, um tributo de amor de Adele a seu filho, Angelo, embora a mensagem e a proposta das canções sejam completamente diferentes.
Se em Remedy Adele se posiciona como um porto seguro para o seu filho, em Sweetest Devotion, a cantora descreve o sentimento transformador da maternidade. Ela explica, de muitas maneiras diferentes, o que significa vivenciar o amor de mãe. " Just remember, that come whatever, i'll be yours all alone" (Basta lembrar, que aconteça o que acontecer, serei somente sua.)
É de conhecimento geral que Adele lutou contra a depressão pós parto. A cantora sempre falou abertamente sobre essa questão, explicando que passou por inúmeras crises antes e depois de ter seu filho Angelo. "O meu conhecimento sobre pós parto é que você não quer estar com a sua criança." Disse a britânica em entrevista. "No entanto, eu era obcecada com o meu filho. Eu me sentia muito incapaz. Eu senti como se tivesse feito a pior decisão da minha vida. Isso pode vir de muitas formas."
A cantora realmente passou por transformações ao longo de sua gestação, cortando alguns hábitos como o uso de cigarro e perdendo uma quantidade considerável de peso, contentando-se apenas com o prazer de tomar uma taça de vinho uma vez a cada dois dias.
Foto 20: Adele com uma taça de vinho.
Adele tenta transmitir o sentimento de mudança em sua vida após a chegada de seu filho. A cantora descreve que antes do nascimento de Angelo, ela se sentia emocionalmente paralisada, e que a sua chegada em sua vida trouxe um sentido completamente novo para a sua existência. "All of my life, i've been frozen, the sweetest devotion i know" (Em toda a minha vida, estive congelada, a mais doce devoção que eu conheci.)
Foto 21: Adele em 25.
É possível ouvir a voz de Angelo no inicio da canção, tornando a faixa ainda mais pessoal, algo que seria replicado mais tarde, no álbum 30, na canção "My little Love", que traria um diálogo inteiro entre mãe e filho.
Sweetest Devotion é muito mais do que um sentimento de alguém que está vivenciando o famoso amor de mãe. É sobre superar seus obstáculos e as suas barreiras, conforme a cantora prossegue: "I wasn't ready then, i'm ready now, i'm hading straight for you, yoou will only be eternally that one that i belong to" (Eu não estava pronta naquela época, estou agora. Eu estou indo direto para você. Você será eternamente aquele a quem eu pertenço.
11. Can't let go (Bônus)
A primeira faixa bônus de 25, provavelmente, é o trabalho mais pessoal da carreira da cantora Adele. A canção, que fala sobre um amor unilateral, o sentimento de desesperança gerado pela expectativa frustrada de doar tudo de si e ainda sim não ser suficiente para que o relacionamento seja bem sucedido, foi escrita e gravada em aproximadamente uma hora.
A faixa, entregue como música bônus no formato de demo, sem nenhuma espécie de colaboração ou efeito especial, contribui para a maneira que Adele gostaria que seus ouvintes encarassem a música: da maneira mais crua e sincera possível.
Foto 22: Adele em 25.
A britânica já confessou que Can't Let Go é uma música que tem uma carga emocional muito grande para ela, e por conta desse motivo, nunca será cantada ao vivo, o que só a torna ainda mais notável; saber a história por trás da primeira faixa bônus de 25 cria no ouvinte a consciência de que a cantora nunca mais vai se referir aos próprios sentimentos de forma tão direta.
12. Lay me down (Bônus)
A segunda faixa bônus do álbum 25, Lay Me Down, é uma briga entre o amor e confiança. Na canção, Adele destaca que não é possível ter um sem ter o outro.
O eu lírico se mostra disposto a ultrapassar limites e romper barreiras, como em trechos: "I would never break the rules unless you tell me to" (Eu nunca quebraria as regras, a menos que me pedisse) e "You can read my mind, be it truth or lies" (Você pode ler minha mente, seja verdades ou mentiras), mas ao mesmo tempo se mostra decepcionado ao perceber que o seu companheiro não parece compartihar do mesmo sentimento: "Don't you ever say my love opened up your heart" (Você nunca disse que meu amor abriu seu coração)
O pedido "Help me baby, won't you turn off the lights?" (Me ajude, meu bem, você não vai desligar as luzes?) revela a tentativa de Adele de transmitir essa entrega, que deveria ser mútua, do casal, que deve abandonar todas as suas defesas, marcas e reservas a fim de se conectar de maneira mais profunda.
13. Why do you love me (Bônus)
Encerrando o álbum, temos a faixa bônus Why do you love me. Para a Rolling Stone, Adele revelou que a música estava originalmente inclusa no álbum, mas acabou sendo cortada de última hora e reintroduzida como faixa bônus.
Apesar da versão disponível no Youtube, e de ter circulado nas rádios, Why do you love me, bem como as demais faixas bônus do 25 não estão disponíveis nas plataformas de streaming. A cantora explicou que, apesar de ter gostado muito da canção, sentiu que a mesma seria algo mais pessoal dela, algo que os interlocutores não conseguiriam se familiarizar com facilidade, uma vez que, segundo a cantora: “Ninguém estava se conectando com ela (Why do you love me), entre amigos e pessoas que ela trabalhava” logo, a faixa acabou sendo cortada do álbum.
Com uma composição que lembra bastante a ideia de River Lea, Why do You Love Me começa e termina com o questionamento que leva o nome da canção. Apesar de se admitir que precisa do amor de seu parceiro e que querer sustentar aquele amor, a cantora procura entender o por que esse sentimento permanece, apesar de todas as falhas e os obstáculos que se colocam diante do relacionamento. Trechos como: “You were a shock in the dark that blew me away, and you left your mak and it never will fade, you ignited a spark, let the fires away.“ (Você foi o choque no escuro que me surpreendeu, e você deixou a sua marca e nunca vai desaparecer. Você ascendeu uma faísca, deixe os fogos saírem.) podem sustentar a complexidade do amor que é repassado na letra de Why do you love me, o que faz com que a faixa seja uma das letras mais abstratas da cantora, mas que demonstram o tamanho da intensidade dos relacionamentos que são descritos por sua capacidade de composição.
Foto 24: Adele em 25.
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