Por que o planetário Ibirapuera falhou em democratizar o conhecimento em astronomia e o que podemos aprender diante disso.

Planetário localizado em um dos parques mais famosos e movimentados de São Paulo é conhecido por seu fácil acesso e preços acessíveis ao visitantes.

Escrito por: Julia Segre           Data: 01/09/2025         Atualizado em:  01/09/2025


Conhecido popularmente como Planetário do Ibirapuera, o observatório Ibirapuera Aristóteles Orsini está localizado na Avenida Pedro Álvares Cabral, sendo uma das principais atrações do Parque Ibirapuera. Seu portão de mais fácil acesso é o de número 10.


O prédio, fundado em 1957, funciona de Quinta a Domingo, sendo fechado nos três primeiros dias da semana. Os horários das sessões acontecem das 15h ás 19h, com uma pequena mudança aos domingos, nos quais o planetário funciona exatamente nos horários do próprio parque (Das 5h as 23h). O ingresso custa 36 reais (Inteira) e 18,00 (Meia-Entrada destinada a crianças de dois a quinze anos, estudantes de ensino fundamental a superior, idosos, professores/diretores e pessoas com deficiência).



Foto 01: Planetário Aristóteles Orsini.


 

Atualmente estão em cartaz as sessões: Planetas do Universo, a sessão temática do Show da Luna, destinada ao público infantil, e Olhar o Céu de São Paulo, atração que é, ao mesmo tempo, gratuita e paga. O planetário também oferta um curso, de nome Reino das Galáxias, com a apresentação especial da astrofísica Mirian Castejon, no valor de 250 reais.


Aristótles Orsini, é, de longe, o mais popular Planetário que existe em São Paulo. Fora ele, temos apenas os observatórios do Carmo e o Centro de Estudos do Universo. Ainda sim, ao pesquisar no Google: "Planetário", com a localização configurada na cidade de São Paulo, o Planetário do Ibirapuera será a única opção que aparecerá em sua tela.



Foto 02: Sessões disponíveis no site do Planetário Aristóteles Orisini.



Falo com vocês sob o ponto de vista de alguém que nunca havia frequentado um planetário na vida. Ou melhor, falo em nome de alguém que só havia frequentado o planetário uma única vez, jovem o suficiente para não me lembrar de absolutamente nada da visita, o que fez com que tudo o que eu visse ali fosse considerado uma absoluta novidade.


Nossa visita aconteceu no dia 24/08/2025, e quem me acompanhou nessa jornada foi o Gabriel, meu irmão mais novo e companheiro de todas as horas. Nós já havíamos tentado comprar nossos ingressos de forma presencial em uma outra ocasião, mas ao chegarmos ao guichê recebemos a informação de que todos os ingressos já haviam sido vendidos, para ambos os horários disponíveis. Pensando nisso, me apressei e comprei o ingresso com cinco dias de antecedência através do site, recebendo os QR Codes poucos minutos depois.


Uma fila considerável de pessoas já estava se formando no corrimão que dá acesso ao planetário quando meu irmão e eu chegamos para aguardar a abertura dos portões, mesmo com vinte minutos de antecedência. Não demorou muito tempo para que observássemos algumas pessoas que, assim como nós, naquela outra ocasião, tentaram comprar seus ingressos na hora e acabaram saindo de mãos vazias. Apertei meu celular um pouco mais contra o punho, feliz por ter tomado a decisão de reservar os tickets o quanto antes. Estava ansiosa e minha expectativa estava muito alta.


A fila andou rápido, de forma que nós já abrimos nossos aplicativos a fim de validar rapidamente nossos ingressos para não atrasar o andamento e a acomodação das pessoas que estavam atrás de nós, no entanto, ao chegar na nossa vez da fila, tivemos uma experiência desagradável. Nós havíamos comprado nossos ingressos utilizando o benefício da meia entrada, e a funcionária que estava escaneando os QR Codes pediu para que apresentássemos uma comprovação de que meu irmão era, de fato, um estudante. Um procedimento que poderia ser visto como padrão, mas que não havia ocorrido com nenhuma outra pessoa que estava na fila a não ser a gente, o que obviamente me chateou. Logo, fomos obrigados a parar enquanto retirávamos o passe escolar do meu irmão mais novo, um pobre estudante do ensino fundamental e apresentamos a mulher. 


Enquanto abríamos nossas bolsas para obedecer a orientação, uma segunda atendente me puxou pelo ombro, me tirando do caminho e me orientando a respeito da localização das salas e banheiro, me deixando ainda mais constrangida.


Nervosa com a situação, fui em direção ao toalete, que é limpo e organizado. Do lado de fora, estava sendo ofertada uma sessão de fotos temáticas para as famílias como forma de recordação por comparecer ao evento e algumas vitrines que continham um pequeno mostruário, com telescópios e aparatos antigos, além de pequenas maquetes, que ilustravam o tamanho do nosso planeta comparado a outras estrelas, como o sol. Infelizmente não me recordei de tirar fotos das vitrines.


Ao chegarmos no auditório circular, apanhamos um pouco para entendermos como localizar nossos lugares, mas o espaço era grande, reconfortante e as poltronas eram confortáveis, apesar do assento ao meu lado estar sujo de menstruação. O verdadeiro ponto negativo foi que a sessão começou muito atrasada; nossa reserva estava para acontecer ás 15h, e o espetáculo começou por volta das 15:30, com muitas cadeiras vazias e várias pessoas entrando no ambiente quando as luzes já estavam apagadas.


A sessão que assistimos, em questão, era sobre os planetas do universo, uma vez que sempre me interessei muito pelo tema, apesar de saber muito pouco sobre ele. O apresentador daquela tarde era muito gentil e bem humorado, chegando a fazer a plateia se divertir com seus comentários e piadas iniciais. As imagens projetadas nas paredes eram de alta definição e muito belas de se ver, no entanto, o conteúdo da sessão em si deixou a desejar.


A apresentação começou com um vídeo denso falando do meio ambiente em si e das espécies animais que habitavam o planeta terra, exemplificando a enorme biodiversidade do gigantesco planeta azul. Entendo o ponto do planetário em fazer uma conscientização em relação ao fato de que, apesar de estarmos reunidos ali para aprender mais sobre os outros planetas que existem em nossa galáxia, "não existe um planeta b". Apesar disso, não era bem esse o ponto daquela apresentação. Pelo menos não dava para interpretar dessa maneira no site, quando compramos ingressos para a sessão: Planetas do Universo. De planetas mesmo só fomos apresentados a Saturno e a Júpiter,  e ainda sim foi de forma bem rápida e resumida.


O conteúdo da sessão estava mais voltado para as estrelas e constelações do que nossos vizinhos em si. E apesar de trazer mitos antigos e uma história de amor oriental, a maior parte do discurso que foi falado era repleta de termos técnicos complexos, e que mesmo com o auxílio de gráficos e tabelas, era de difícil compreensão, o que deve ter ajudado a maioria das crianças e adolescentes, como meu irmão que estavam presentes na sala a ficarem extremamente entediados a medida que o tempo se arrastava para passar.



Foto 03: Meu irmão e eu, no planetário Aristóteles Orsini.


De forma geral, a visita ao planetário não foi totalmente desagradável, mas também está bem longe de ter sido nosso melhor passeio. Apesar dos preços acessíveis, o conteúdo da sessão que visitei era muito abrangente e técnico, de forma que o interesse do expectador vai diminuindo de forma gradativa pois não é possível manter o foco por muito tempo naquilo que você sequer consegue compreender.


Deixo, como crítica construtiva ao planetário Aristóteles Orsini, que seja feito uma repaginada nas apresentações realizadas, que façam uso de mais exemplos práticos e que tragam o conteúdo de forma centralizada, a fim de democratizar um assunto tão interessante quanto as estrelas e o imenso universo que as rodeia.

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