Livros que não colaram comigo

Nesta lista, só os piores dos piores.

 Escrito Por: Julia Segre Data: 10/11/2025 Atualizado Em: 20/11/2025

Bom pessoal, hoje nós vamos falar de um assunto diferente. Geralmente eu passo por aqui sempre recomendando algum livro para que a gente possa ler e discutir sobre ele depois, mas agora é hora de mostrar o outro lado da moeda.

Como uma leitora apaixonada por livros físicos (e que detesta ler através de telas) é realmente uma chateação quando percebo que o livro que eu comprei, o mesmo que gastei uma quantia considerável de dinheiro, não atendeu exatamente as minhas expectativas. Mas quem nunca, né?

Isso é mais fácil de acontecer comigo do que parece, especialmente por que eu sou uma leitora muito chata. É, eu assumo isso. Não sei se isso acontece por que além de ler, eu também escrevo, então acabo me tornando mais crítica do que a maioria das pessoas, e pequenos detalhes acabam sendo decisivos para que eu decida ou não continuar uma narrativa, mas... acontece.

Eu preparei uma pequena lista de alguns livros que me desagradaram para compartilhar a vocês. Eu digo alguns por que, por algum motivo, a minha mente tende a deletar algumas experiências ruins que tive (já ouvi dizer muitas vezes que isso é um mecanismo de defesa, mas enfim) então, apesar de saber que já li algum livro e saber que não gostei, a maioria deles eu nem lembro do que se trata, então fica um pouco difícil de sustentar o meu ponto de vista, é claro. Então separei apenas alguns que eu ainda me lembro, nem que vagamente, para compartilhar com vocês.

Apenas lembrando que se trata da minha opinião, então se por algum acaso o seu livro preferido aparecer nessa lista por favor não se ofenda. Vamos respeitar as opiniões alheias, até por que se todo mundo concordasse em tudo a vida ia ser beeeem sem graça. Aceito debates justos sobre esse tema, e também aceito sugestões de outros livros que, se vocês soubessem do conteúdo, passariam bem longe deles.

Vamos a lista?



Pessoas Normais, de Sally Rooney

Este aqui tinha que ser o primeiro da lista, com toda certeza. Pessoas Normais é tido, para muitos, como um grande romance, o melhor romance dos tempos atuais, foi adaptado como série e tudo, etc, etc, então vocês podem imaginar o tamanho da minha expectativa para ler esse livro, mas a grande verdade é que ele não cumpriu absolutamente nada do que prometeu, pelo menos não para mim.



Foto 01: Capa de Pessoas Normais.


Uma garota rica e um garoto pobre, filho da empregada da mãe da garota rica, se conhecem de vista na escola. Apesar de pobre, o garoto é bem popular, enquanto a menina bem de vida é excluída nos corredores e não anda com absolutamente ninguém.

Nenhum dos alunos sequer imagina que eles tem alguma espécie de conexão, muito menos as mães dos jovens, mas assim que elas dão as costas, os dois ficam juntos. Apesar de dormir com a garota quase todos os dias, o garoto não quer assumir o relacionamento que eles tem para outras pessoas, talvez por medo do que vão dizer, ou por pura vergonha mesmo. Mas a garota não parece se importar com isso, e bem, isso já foi motivo o suficiente para que eu começasse a desanimar com a leitura.

Que tipo de pessoa não se importaria com algo assim? Tipo, o cara te trata como se você fosse o universo dele em um dia, e no outro, nem olha na sua cara? De uma forma geral, eu achei que todos os conflitos do livro eram fracos e fáceis demais de serem resolvidos, mas que acabavam, de alguma maneira, virando uma verdadeira bola de neve.

Enfim, "o melhor romance já escrito nos últimos tempos" não colou muito comigo.



Uma canção de ninar, Sarah Dessen

Outra grande decepção, talvez ainda maior do que a primeira.  Sarah Dessen é a autora do meu segundo livro de ficção preferido (perdendo apenas para o clássico francês Os Miseráveis, que já fiz questão de falar aqui no Literatura da Meia Noite), A Caminho do Verão.

A Caminho do Verão é tão maravilhoso que eu poderia passar o dia inteiro elogiando esse título. Eu assisti ao filme da Netflix, me apaixonei por ele a ponto de saber boa parte das falas e ter a trilha sonora inteira do filme baixada no celular, e ao comprar o livro me apaixonei mais ainda pelo universo criado pela autora, a ponto de declarar conscientemente que o filme, que eu amo tanto, é uma adaptação rasa- repito, rasa- perto de todo o universo criado pela autora no livro de trezentas e vinte páginas.

Isso me deixou com uma expectativa muito alta para Uma Canção de Ninar, já que eu conhecia a escrita da autora e sabia a capacidade que ela tinha de me encantar de todas as formas possíveis. Escolhi Uma Canção de Ninar, diante de todos os outros títulos da autora, por que a sinopse me encantou bastante.

Por causa dos inúmeros relacionamentos (fracassados) que a mãe já teve, a mocinha não acredita mais no amor, mas um rapaz descolado e aspirante a rock star está preparado para fazer com que ela mude de ideia. Tem como isso ficar ruim? Tem. Sarah Dessen infelizmente mostrou que tem.



Foto 02: Uma Canção de Ninar


Não sei se este livro foi escrito antes ou depois de A Caminho do Verão, ou se Sarah mudou a maneira que ela escrevia, mas eu simplesmente detestei o jeito que ela conduziu a narrativa. Ela se tornou maçante e previsível, e a química da protagonista com o seu par ideal era simplesmente inexistente. Foi outro livro que não consegui concluir a leitura.



Pequena Loja de Venenos, de Sarah Penner

Este livro foi um desperdício, para ser totalmente sincera. O plot dele é interessantíssimo, apesar de ser um livro de época.

Eu não sou muito fã de livros com essa temática, geralmente por que eles são muito entediantes. E eu sei que isso é altamente irônico, considerando o tanto que eu gosto de história, mas a grande verdade é que eu acho os livros de época muito parados. Pelo menos de maneira geral. É tanta preocupação com que tipo de roupa vai se usar em um baile, qual coleção de talheres será utilizada no jantar, e quem são os vizinhos que se casaram ou que vão se casar que eu acabo ficando tonta no meio da leitura.

A Pequena Loja de Venenos, no entanto, quebra completamente essa lógica. Acompanhamos a história de uma mulher que tinha, em sua antiga boticária, uma loja de venenos. Escondida, ela ajudava mulheres a se livrarem de homens que as prendiam por diferentes razões. Era um amante abusivo? Um casamento que ela não queria? Um abusador? Um pai violento? Não importava. Ela fazia seu trabalho e garantia que as mulheres estivessem sempre seguras.

Enquanto isso, séculos a frente, uma moça com o casamento desmoronando devido a uma traição de seu marido embarca sozinha em uma viagem, onde acaba encontrando resquícios da antiga boticária, e inicia uma investigação sobre isso. Parece incrível, né? Mas o grande problema do livro é a terceira protagonista, Eliza.




Foto 03: A Pequena Loja de Venenos


Eliza é apenas uma criança, e até iniciar a leitura eu não imaginei que pudesse detestar tanto uma criança. Ela conhece Nelia, a dona da boticária, e após Nelia se afeiçoar a ela, Eliza simplesmente coloca tudo a perder, e com uma rapidez assustadora que simplesmente estraga todo o resto do livro.

Como pode uma simples menina destruir décadas de trabalho construído? As duas se aproximam muito rapidamente, de um jeito que mal faz sentido, e o fato de (spoiler, atenção) Eliza ter "morrido" e voltado na sequência simplesmente fechou o caixão do livro pra mim.

Finalizei a leitura mais por que estava curiosa com a investigação futura, já que Eliza simplesmente destruiu um livro que era pra ser promissor.


Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara

Outro livro que comprei devido a intensa propaganda que fizeram dele. Me disseram que era o livro mais triste de todos, e o tanto que eu vi de vídeo de pessoas chorando enquanto liam ele não tá escrito ( e olha que eu mal vejo a internet, então se eu vi bastante gente, é algo digno de nota). Comprei ele ao lado do meu amigo da faculdade, e nós combinamos de ler juntos, porém apenas eu fui até o final da leitura (sofrendo, mais fui).



Foto 04: Uma Vida Pequena.


É um livro bastante extenso, com mais de 600 páginas, mas eu acho que o verdadeiro problema dele é que parece que ele foi escrito por uma pessoa e finalizado por outra.

No começo, eu realmente estava gostando do livro e da narrativa. A gente começa meio que o trem já andando, uma coisa que geralmente eu acho ruim, mas na escrita da Hanya se tornou algo interessante e que te instigava a ficar ainda mais curioso pela leitura.

A autora sabe construir personagens interessantes, mas o que mais me chateou e desanimou é que ao longo do livro parece que as coisas vão perdendo o sentido. O livro, que é vendido como a história de quatro amigos, é na verdade, uma biografia de Jude e os inúmeros sofrimentos que ele teve que passar ao longo de sua vida.

Terminei de ler apenas para ver como seria o final, mas preciso dizer que me decepcionei. O livro poderia ser muito melhor do que realmente é. E, em minha opinião, a narrativa é mais revoltante do que necessariamente triste.


Raio de Sol, de Kim Holden

Minha leitura mais recente (e também fonte de inspiração para fazer esse post, afinal, alguém tinha que ouvir as minhas lamentações), comprei o livro depois de ter visto um vídeo de uma jovem que disse que este livro havia salvado ela.

Cada um com sua experiência, não é mesmo?

A premissa do livro seria a respeito de uma jovem chamada Kate, apelidada docemente de "Raio de Sol" por seu melhor amigo, Gus, já que ela adora ver o lado positivo de todas as situações. Ela é otimista sempre (pelo menos na sinopse, já que no livro mostra que ela não é bem assim) e em todas as situações, exceto no amor.




Foto 05: Raio de Sol


Até que ela conhece Keller, um rapaz que, assim como ela, tem um segredo. Uh-huh. Nem sei que segredo que é esse, já que eu não tive paciência nem de passar da página 100, embora possa fazer minhas apostas do problema da Kate.

Tudo nesse livro me irritou, de verdade. A autora tenta falar sobre assuntos importantes, mas não sai das pautas óbvias. Tudo é muito clichê (desde o amigo gay que tem que ser chaveirinho da protagonista, ele está lá apenas para isso, até o melhor amigo que é apaixonado pela principal, ugh) e o romance principal é movido por hormônios e segundas intenções. Não recomendo nem um pouco.



Maus, de Art Spiegelman

Outra grande decepção que tive. Maus é um quadrinho que faz uma alegoria interessante a situação dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, retratando os judeus como ratos* e os nazistas como gatos.

Era um livro que eu estava, há muito tempo, querendo ler, mas que estava bem caro, e por isso eu fiquei esperando o preço abaixar para poder, enfim, comprar. A oportunidade veio na bienal do livro de 2024, que fui com o mesmo amigo que comprou Uma Vida Pequena para ler comigo (É Will, um dia a gente compra um livro bom juntos!)  onde ele estava com um preço acessível no estande da editora Seguinte. (Detalhe, nesse dia, eu comprei 04 livros. Um que eu gostei, o outro que eu amei, esse e outro que eu achei horrível, mas que infelizmente eu não lembro o nome, por que se eu lembrasse também iria estar aqui, então foi uma compra 50/50.) 

Enfim, eu vi o livro e fiquei super empolgada ao comprá-lo afinal, sempre tive muita curiosidade de lê-lo.



Foto 06: Maus.


A realidade, no entanto, foi bem diferente da expectativa. O livro não me prendeu. A narrativa mal fala da guerra, pelo menos até a parte em que li. (Li um pouco mais de 130 páginas) e os personagens não encantam em nada, absolutamente nada. acontece. Com uma narrativa morna e que progride a passos de tartaruga, acabei abandonando a leitura.

*Eu tinha achado interessante a alegoria dos ratos, por que em propagandas nazistas, os judeus costumavam ser retratados com características semelhantes a esse animal, em espécie de caricatura. Com narizes enormes e dentes pontiagudos, além de todo o absurdo que a publicidade alemã tinha para oferecer na época.



Mil Beijos de Garoto, de Tillie Cole

Mais um livro que eu comprei por ser "de chorar". Um sucesso no tiktok (não que eu tenha, é claro) e também um best-seller recente, eu achei que poderia estar me metendo em uma boa leitura para passar o tempo, mas na verdade eu estava entrando em uma grande furada.

Primeiramente por que o livro só tem dezesseis capítulos. Nada contra, é claro. Mas na minha humilde opinião, não tem como fazer um romance de respeito com dezesseis capítulos. É muito pouco. E o resultado foi exatamente esse: Um romance profundo como uma poça de lama no meio da rua.




Foto 07: Mil Beijos de Garoto


A história principal até que é bonitinha. Dois vizinhos que se conhecem e se apaixonam, mas, como já dito, não há profundidade nenhuma na história deles. Eles se conhecem rapidamente. Se apaixonam rapidamente. Se separam rapidamente. O garoto se revolta sem motivo nenhum, e a história fica ainda mais previsível quando a mocinha descobre que está doente e morre no final. Sinceramente? Li só a metade do livro, por que eu senti que não precisava mais, já que eu já conhecia o final dessa história sem nem precisar chegar a última página.



Linda, como no caso do assassinato de Linda, de Leif G.W.Persson

Este livro foi um presente de uma pessoa muito querida, mas infelizmente ele é péssimo. Gosto muito de livros que falam de crimes, sejam eles reais ou fictícios, mas G.W Persson definitivamente não conseguiu me conquistar.




Foto 08: Linda, como no caso do assassinato de Linda.


A trama simplesmente NÃO ANDA. Uma coisa que poderia ter sido resolvida em, no máximo, 100 páginas, se arrasta ao longo das trezentas que o livro possui. A polícia dá um milhão de voltas para chegar ao assassino, e o detetive que investiga o caso é um ser detestável de tantas maneiras que eu poderia passar o dia inteiro numerando. O interessante é que todo mundo que leu este livro pensou a mesma coisa a respeito do sujeito.

Não sei por que li até o final. Provavelmente por que me odeio.



O Silêncio da Casa Fria, de Laura Purcell

Continuando a nossa saga de "não curto muito ler esse tipo de coisa, mas tentei dar uma chance mesmo assim", o Silêncio da Casa Fria é um livro de mistério com uma pegada mais de casa mal assombrada.

Particularmente eu não sou muito fã de nada que seja de terror, porque já sou uma pessoa naturalmente assustada, então esse tipo de coisa não me atrai, mas como foi um livro emprestado de alguém que eu prezava muito na época, resolvi dar uma lida nele para ver no que é que dava.



Foto 09: O Silêncio da Casa Fria


O livro funciona em três linhas do tempo. Duas no passado e uma no presente. A no presente começa com a nossa protagonista, já idosa, em um manicômio, enquanto as outras duas funcionam em um passado de muitos anos atrás, onde acompanhamos a então jovem protagonista visitando a casa, herança de seu falecido marido, e uma em um passado mais longínquo ainda, onde visitamos as primeiras pessoas que moraram naquela casa.

O livro é bem escrito, isso não tenho como negar. Mas o principal problema dele é que nós o lemos o tempo todo esperando que venha alguma espécie de explicação (ainda que seja absurda) do que diabos acontece naquela casa e adivinha? O livro encerra sem explicar absolutamente NADA. Você fica sozinho em meio as suas teorias e divagações. E não me entenda mal, eu até curto final aberto, e acho que ele pode servir em algumas ocasiões, mas não em livros de mistério. Não em tramas onde a graça está justamente em tentar entender o que está acontecendo naquela casa. Sinto muito, mas não colou comigo.


Quando As Estrelas Caem, de Mariana Lucioli

Um livro nacional, para tentar equilibrar as coisas! Talvez meu problema com o livro seja 100% pessoal, mas geralmente não consigo acompanhar histórias cujo protagonista não me atrai por um motivo ou outro.

É muito difícil pra mim seguir uma história quando não torço para que o personagem principal consiga o objetivo dele, a não ser em raras exceções, onde a história é extremamente bem escrita, o que não é o caso desta.



Foto 10: Quando As Estrelas Caem


A história, que mistura contos de fadas com um romance autoral, é até que bem apresentada, mas pouco aproveitada. Há muitas lacunas a serem preenchidas, ou melhor, aprimoradas- na história, que acabou perdendo um pouco de profundidade com o passar dos capítulos. No entanto, o meu maior problema foi, realmente, a personagem principal.

A ambiciosa e egoísta fada Tipper, que não aprende com seus erros e não evolui ao longo do caminho não conseguiu me conquistar. O livro acabou ficando cansativo no final. Valeu a intenção. Era uma boa ideia na teoria, mas na prática não funcionou tanto pra mim.


Objetos Cortantes, de Gillian Flynn

O pior livro da lista, assim, de longe. Até hoje não entendo como é que esse enredo foi adaptado para uma série de televisão.


Foto 11: Objetos Cortantes


É apenas uma história péssima, incômoda e nojenta. Não recomendo nem para o meu pior inimigo.


Apenas Um Ano, de Gayle Forman

Para fechar essa lista, uma menção honrosa a Apenas Um Ano, da Gayle Forman.

Foi uma decepção parecida com "Uma Canção de Ninar", da Sarah Dessen. Eu havia comprado "Apenas Um Dia", em um sebo de livros muito antigo na cidade de Campos do Jordão, enquanto passava a virada de ano com uma amiga, e tinha amado o título. De verdade.

Tanto que fui pesquisar a respeito e descobri que havia uma sequência, e é claro que eu a comprei. O livro não é, em si, mal escrito, apenas...decepcionante. Passamos o livro todo naquela ansiedade, torcendo para que os dois protagonistas, uma americana e um holandês que se conheceram e se apaixonaram durante alguns dias na cidade de Paris, e quando isso finalmente acontece, no final do livro, o reencontro deles é...decepcionante?

Foto 12: Apenas Um Ano


Quer dizer, ele não é de todo ruim, mas perto do restante do livro, ele é extremamente mal escrito. A sensação que eu tenho é que a Gayle encerrou o livro com pressa, muito provavelmente em cima do prazo.


Mas então pessoal, é isso. Depois de detonar todas essas obras literárias com base na minha humilde opinião, me diga: Você já leu algum desses livros? Gosta de algum deles? Discorda de mim? Acha que tem algum outro que merecia entrar nessa lista? Conta pra mim para que a gente possa conversar a respeito.

Vejo todos vocês no próximo Literatura da Meia Noite. Um beijinho e até a próxima!

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