Minha melhor amiga, Anne Frank: Livro vs Filme

 Biografia de Hanneli Goslar foi adaptada para o cinema em 2022.

Escrito por: Julia Segre Data: 25/09/2025 Atualizado em: 27/09/2025

Hannah Goslar, mais conhecida por seu apelido de Hanneli, foi uma enfermeira judia, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e do maior genocídio que a humanidade foi capaz de proporcionar: O Holocausto.

Hannah nasceu em 12 de Novembro de 1928 , na Alemanha e ficou mundialmente conhecida por sua amizade com Anne Frank, a autora do diário mais famoso do mundo. O nome de Hannah aparece inúmeras vezes no diário da adolescente, que chega até mesmo a descrever um sonho que teve com Hanneli, a enxergando como um símbolo da perseguição e da intolerância contra os judeus, sem fazer a menor ideia de que ela mesma se tornaria esse símbolo.



Foto 01: Hanneli Goslar, sobrevivente do Holocausto.


 

Sempre discreta e com poucas palavras, pouco se sabia a respeito da história de vida de Hannah, e sobre  o seu passado, histórias de sua família e sobre o período onde esteve em cativeiro, embora o fato de que ela conseguiu se encontrar- e ajudar- Anne Frank durante os seus últimos dias em Bergen Belsen tenha se tornado mundialmente conhecido.

Mas isso mudaria em 2021, um ano antes de sua morte, quando a Netflix anunciou o longa metragem: "Mijin beste vriendin Anne Frank" (Em português, "Minha Melhor Amiga, Anne Frank") cuja história acompanharia a vida e as memórias de Hanneli Goslar durante o período da invasão nazista. Esta foi a segunda produção relacionada a Anne Frank que não trazia a adolescente como personagem principal. A primeira delas foi a minissérie A Small Light, que contava a trajetória de Miep Gies, produzida em 2019 pela Nacional Geographic. Dois anos depois, surgiria "Minha Melhor Amiga, Anne Frank", que abordaria a amizade das duas jovens e seu cinzento reencontro nos campos de Bergen Belsen, poucas semanas antes da libertação do campo e alguns dias antes de Anne e Margot sucumbirem de tifo, em Março de 1945.



Foto 02: Pôster do filme: "Minha melhor amiga, Anne Frank".


Dois anos após o lançamento do filme, a editora Buzz publicou o livro autobiográfico de Hanneli Goslar, entitulado "Minha amiga Anne Frank".



Foto 03: Capa do livro: "Minha Amiga, Anne Frank."


As semelhanças entre livro e filme não estão apenas no título e na tentativa de transmitir o peso do passado de Hannah e de todas as coisas que ela vivenciou no período mais sombrio da história da humanidade; as duas obras contam a mesma história.

E neste artigo, vamos fazer um comparativo entre o filme e o livro, pontuando os pontos positivos, os negativos e intermediários do filme tendo como base o livro, que embora tenha sido lançado depois do longa metragem, continua sendo a fonte mais concisa e confiável dos fatos que se sucederam, uma vez que o exemplar narra de maneira mais crua os acontecimentos e atrocidades que acometeram Hannah e sua família, sem trechos ou passagens adaptadas para fins cinematográficos.



PONTOS POSITIVOS


1) Apresentar a família de Hanneli como judeus praticantes.

É fundamental ressaltar que, apesar da amizade entre os Frank e os Goslar, havia uma diferença muito grande na maneira que a religião judaica afetava as duas famílias.  Enquanto os Frank, especialmente Otto, eram considerados mais ortodoxos e não praticantes, os Goslar eram mais devotos e atuantes, não apenas na fé judaica, como na comunidade como um todo. 

O pai de Hannah, Hans Goslar, liderava a comunidade sionista, e ajudava dezenas de judeus a emigrarem para a Holanda, fugindo da perseguição nazista que acontecia na Alemanha. Esse cargo possibilitou a família Goslar uma espécie de proteção, uma vez que eles integraram o último grupo de judeus a ser levado para o campo de registro de Westerbork, onde mais tarde seriam tratados com "privilégios", por serem mantidos como prisioneiros para a finalidade de troca por soldados alemães outrora capturados pelos aliados.



Foto 03: Pai de Hanneli, recitando uma oração hebraica.



Logo, as condições que Hanneli e sua irmã enfrentaram,  apesar de desumanas, eram muito melhores do que a maioria dos demais judeus que foram capturados ou descobertos pela Gestapo após ficarem em esconderijos, como foi o caso de Anne Frank.


2) Ida de Anne a Suiça,  Morte da mãe de Haneli, Trabalho de Hannah nos banheiros e Professor chorando em Sala de Aula. 


Todos os acontecimentos citados acima foram reproduzidos com fidelidade ao relato que Hannah faz em seu livro.

O sentimento que a acometeu quando Anne deixou tudo para trás para, supostamente, ir a Suíça, a forma como a mãe de Hanneli faleceu, horas após dar a luz ao pequeno irmão de Hannah, que também não sobreviveu ao parto, e a reação do professor do Liceu Judaico ao saber que um colega de trabalho- mais um-havia sido preso, assim como o trabalho voluntário que Hannah se submeteu de limpar as latrinas coletivas utilizadas pelos judeus que estavam mantidos em cativeiro na esperança de ver seu pai mais vezes, foram transmitidos com precisão para as grandes telas. 


3) Gabi

A maneira como o figurino que foi pensado para a atriz mirim, com uma touca que cobrisse as orelhas (para fazer referência a cirurgia de emergência que ela teve de passar em Bergen Belsen) foi um detalhe muito cuidadoso, digno de quem realmente pensou na personagem e na maneira como ela deveria ser retratada.

Apesar de estar em uma condição que a poupava da cruel Câmara de Gás, um destino certeiro para todas as crianças da idade dela que se encontravam do outro lado da cerca, Gabi também foi desumanizada. Suas primeiras memórias, que deveriam ser saudáveis e felizes, foram preenchidas por lembranças terríveis de uma época que ela ainda luta para esquecer. 



Foto 04: Gabi em: "Minha melhor amiga, Anne Frank".


Uma das cenas mais marcantes do livro é quando, após a libertação do campo, Gabi está caminhando em direção ao trem para deixar Bergen Belsen quando um nazista pergunta a menina se ela quer um biscoito. Gabi se vira para ele e pergunta o que é um biscoito.

Essa cena é adaptada no filme, em um diálogo onde Hannah faz Gabi imaginar a quantidade de bolos que as duas comerão após a guerra, e Gabi responde dizendo que não sabe o que é um bolo.



4) Mudança de cores

Um ponto extremamente positivo do filme é a paleta de cores que existe entre o passado e o presente, tornando o filme nostálgico e ao mesmo tempo sombrio.

Os momentos destinados ao passado são coloridos e aconchegantes, enquanto as cenas do presente apresentam um tom mais acinzentado, como se toda a alegria e a esperança de Hanneli tenha sido varrida junto com as lembranças felizes dos momentos bons que ela teve ao lado de Anne Frank.


Foto 05 e 06: Cenas do passado e do presente de Hanneli lado a lado, exemplificando o que foi dito acima.


 

5) Soliedariedade entre as mulheres e aliados sobrevoando Bergen Belsen.

Uma parte essencial da narrativa de Hannah, a soliedariedade das judias capturadas umas com as outras é algo perceptível dentro do filme dirigido por Ben Sombogaart. Em diversos momentos, tanto nas filas humilhantes nas quais as prisioneiras ficavam paradas por horas durante uma contagem que a própria Hanneli classificava como "Sem sentido", quanto no momento em que Hannah perde seu pai para a doença e as demais mulheres cedem suas poucas migalhas de pão as irmãs Goslar, para que elas possam fazer uma Shivá improvisada, refeição realizada por todos os judeus quanto perdem um ente querido.



Foto 07: Personagem "Maria" entregando uma maçã para uma mulher que estava atrás dela na fila de contagem.


Além disso, o filme também exibe uma cena dos Aliados sobrevoando os campos de Bergen Belsen, um dos muitos relatos de Hannah, que revelou em seu livro de memórias que "muitas vezes, judeu e nazista ficavam deitados lado a lado, debaixo da mesma lama, esperando que os aviões passassem."




INTERMEDIÁRIO

1) Hino nacional holandês

Apesar de aparecer no filme, o hino nacional holandês, frequentemente assoviado por Anne e Hanneli não tem o contexto necessário para tornar esse gesto o símbolo da comunicação de peso que existia entre as duas melhores amigas. 

Sem o uso de palavras, Anne e Hanneli anunciavam a sua chegada com o uso da melodia do hino daquele país que elas amavam tanto, para chamar uma a outra para sair, brincar ou contar algum segredo. Era um simbolismo único das duas amigas, e o grande responsável por fazer com que ambas pudessem ser capazes de reconhecer uma a outra em Bergen Belsen, uma vez que havia um enorme cercado que as impedia de ver o rosto uma da outra.


2) Otto com as crianças

O filme dedica um pouco de tempo para mostrar a forma como Otto sempre foi dedicado e gentil com as crianças, chegando a fazer parecer que o Sr.Frank tinha mais paciência com Hanneli do que os próprios pais dela.

No entanto, o longa poderia ter explorado um pouco mais a intimidade que Otto tinha com Hannah em particular, uma vez que o Sr.Frank tratava Hanneli quase como sua filha postiça, convidando os Goslar para passar todos os Anos-Novos em sua casa, inventando uma "canção chinesa secreta", só para fazer Hannah rir e o fato de ele ter tentado ensinar a menina a andar de bicicleta.


3) Alfred 

Apesar de mencionado, a presença de Alfred, o primeiro "namorado" de Hanneli, não passou disso no longa metragem.

Alfred era um jovem judeu tímido e reservado, que gostava de desenhar e tinha um interesse genuíno em Hanneli, embora ambos fossem envergonhados demais para ser qualquer coisa além disso. Ele, assim como Margot, havia recebido uma carta de convocação dos nazistas, e foi um dos primeiros judeus a deixar a cidade.

Antes de sair de Amsterdã, Alfred perguntou a Hanneli se ela o esperaria até depois da guerra, e Hannah confirmou. No entanto, eles nunca mais se viram depois daquele evento, já que Alfred foi assassinado pelos nazistas pouco tempo depois de sua convocação.

Acredito que Alfred poderia ter sido mais relevante dentro do filme, fazendo poucas aparições e tendo poucas falas. O que penso para ele seria uma participação pequena, mas significativa. Infelizmente ele foi reduzido apenas a pequenas menções maliciosas de Anne, que deixavam Hanneli extremamente constrangida.


4) A família Lenderman, Westerbrook e Cirurgia Gabi 

Esses três tópicos foram levemente insatisfatórios, pesando mais para o lado negativo do que o lado positivo da moeda. Isso por que a personagem de Sanne foi resumida a uma única cena, sendo que no livro há muito mais a ser dito sobre a amiga de Hannah e Anne. Sua irmã mais velha, Barbara, ficou escondida com o namorado cristão e implorou a sua família para que fizessem o mesmo, mas o Sr.Lenderman achava que eles estariam mais seguros do lado de fora. Sanne ficou ao lado de Hanneli por meses em Amsterdã até ser deportada, um pouco antes dela, para o leste. Ela morreu na câmara de gás em Awschivitz, juntamente com seus pais, e apenas Barbara sobreviveu. 

Nenhuma cena em Westebork é mostrada, nem esse relacionamento com a família Sandermann. Também não seria ruim mencionar a situação de Jaqueline Van Marsen, outra amiga de Hannah e de Anne, que conseguiu se livrar da perseguição nazista por uma mera burocracia em seus documentos. Filha de mãe cristã e pai judeu, sua mãe conseguiu alterar o status social de Jaque como "não judia", salvando sua vida. Hannah comenta como em uma semana, Jaque era proibida de fazer as mesmas coisas que elas, e que de repente, por causa de um documento, Jaque passou a poder realizar as mesmas atividades novamente, como ir ao cinema e utilizar o transporte público.

Vale também a menção de Luci Van Dijk, uma amiga próxima de Hannah e Anne, que se encontra na famosa foto do aniversário de 10 anos de Anne Frank, justamente ao lado da mesma. A garota era uma das colegas de sala de Anne, mas não era judia, e quando a guerra implodiu, Luci se juntou a juventude nazista, chocando suas amigas.

Tudo isso poderia ter sido mencionado, ainda que rapidamente, para não perder o foco da história principal de Hanneli Goslar.



Foto 07: Luci Van Dijk ao lado de Anne Frank.


 

5) Sra.Finkel é "Maria"

No livro, Hanneli descreve a Sra.Finkel como uma mulher que muito a ajudou nos tempos de aprisionamento em Westerbork e Bergen Belsen. Ela esteve ao lado de Hannah e de Gabi em todos os momentos, até o momento da libertação. 

No filme, a Sra.Finkel é substituída pela personagem "Maria", que cumpre seu papel de estar ao lado de Hannah e de ajudar a tomar conta de Gabi, mas ao mesmo tempo ela não parece ser essa figura crucial que Hannah narra em seu livro de memórias, e sim uma adulta responsável com quem Hannah pode contar. A forma como a personagem foi trabalhada no roteiro limitou um pouco a profundidade entre as duas personagens.




Foto 08: Personagem Maria em "Minha melhor amiga, Anne Frank."

 


06) A troca ser cancelada após a morte de Hans

A todo momento, os Goslar foram tratados como prisioneiros de guerra privilegiados que tinham forte possibilidade de imigrar para Israel ou de serem trocados por soldados alemães, embora tal situação não tenha sido transmitida com muita clareza no longa metragem.

Assim como na vida real, Hans morreu no mesmo dia em que a troca ocorreria e sua família seria liberta, cancelando assim o acordo. No entanto, um detalhe fundamental foi cortado do filme; Hans visivelmente não estava em boa saúde, e poderia ser considerado inapto para viajar, mas o soldado nazista que os insepcionou olhou fundo nos olhos de Hannah, e tendo uma surpreendente demonstração de humanidade disse: "Hans Goslar, aprovado."

Infelizmente essa atitude não foi adaptada para as telonas.



PONTOS NEGATIVOS

1) O fato dos Goslar terem saído da Alemanha e terem ido para a Inglaterra ANTES da Holanda. 

Este momento é um divisor de águas na vida de Hannah, e é simplesmente criminoso cortá-lo do filme. Inicialmente, Hans e sua família tentaram se estabelecer na Inglaterra para fugir da perseguição da Alemanha nazista, uma vez que o patriarca da família havia conseguido um emprego na Unilever.

No entanto, a empresa não respeitava o Shabat, e isso foi decisivo para que Hans rejeitasse a vaga e acabasse se mudando para a Holanda, uma atitude que mais tarde selaria o futuro de toda a sua família.

A Inglaterra se mostrou como uma importante potência do Exercíto Aliado, enquanto a Holanda  foram para a Holanda se mostrou neutra até a invasão do exército alemão, em 1940. Caso tivessem permanecido na Inglaterra, nenhum membro da família Goslar sofreria com o holocausto.



Foto 09: Foto da Famíla Goslar.


 


2) Inicio da amizade de Anne com Hannah.

Uma outra parte essencial que foi cortada do longa metragem foi a forma como a amizade entre Anne e Hannah começou. Em um pequeno comércio local, a mãe de Hanneli percebeu uma mulher falando alemão e imediatamente se aproximou dela. 

A mulher em questão era Edith Frank, a mãe da autora do diário mais famoso do mundo.

Tanto a Senhora Goslar quanto a Senhora Frank sentiam muita falta da Alemanha e ainda estavam lutando para aprender holandês, logo, aquele encontro pareceu extremamente bem vindo, e proporcionou uma amizade duradoura entre Anne e Hanneli, que experimentaram algo extremamente parecido na escola, ao perceberem que eram as únicas crianças que ainda não sabiam falar holandês.




Foto 10: Hanneli e Anne juntas.



Anne se aproximou de Hannah no balanço e ofereceu sua amizade. As duas aprenderam a falar holandês sozinhas, e imediatamente passaram a amar a pátria, se comunicando através de seu hino nacional, mas nada disso é mostrado no filme.

 


3) A vizinha de Hannah

Outro ponto negativo do curta metragem foi a ausência da Senhora Goudsmit, vizinha dos Goslar. A mulher cristã tinha um filho pequeno que brincava com Gabi, a caçula da família, e no momento da prisão dos judeus, ela se ofereceu para ficar com Gabi e pediu aos nazistas que deixassem ao menos a pequenina com ela. 

O nazista então lhe pergunta se ela não tinha vergonha por estar se oferecendo para ajudar os judeus. Goudsmit responde em alto e bom som: "Eu sou uma mulher cristã e não, eu não tenho vergonha."

Mais tarde, em Westerbork, a bondosa mulher envia diversos materiais valiosos para seus vizinhos, como alimentos não perecíveis e itens de higiene pessoal.



4) Os pais de Hanneli 

Uma das coisas mais díficeis de se fazer no longa metragem é ter alguma espécie de empatia pelos pais de Hannah. Os dois foram extremamente mal adaptados para as telonas. Hans tem poucos momentos de amistosidade com Hannah, mas de maneira geral parece ser um homem extremamente religioso e rigoroso, chegando a dar um tapa no rosto da própria filha em uma das cenas do filme.

No entanto, a forma como Hans foi abordado não chega nem mesmo aos pés da maneira como Ruth, sua esposa, foi retratada. Tida como uma mulher mal humorada, Ruth não se parece nem um pouco com a mãe adorável que Hanneli narra em seu livro de memórias, com a mulher que pacientemente respondia suas perguntas comuns da puberdade e que saia com ela toda semana para comer um pedaço de bolo e acompanhar de perto a sua fase de crescimento.

A personagem Irma, criada da casa, também foi cortada da adaptação, dando a impressão de que Hannah foi uma jovem que desde sempre tinha muita obrigação dentro de casa para com Gabi e que não tinha tempo de fazer suas tarefas escolares e de se divertir, o que está bem longe de ser verdadeiro.



5) Os avós de Hannah

Outro erro tão grave quanto o anterior foi a ausência dos avós de Hannah no longa metragem. Os avós de Hanneli são tão importantes e essenciais quanto os próprios pais da menina, uma vez que todos foram presos juntos e levados a Westerbork, onde o avô de Hannah faleceu devido a problemas cardíacos. O avô de Hannah também liderava a comunidade sionista e era muito próximo de Hans. 

Já a avó de Hanneli foi extremamente importante e protagonizou uma das cenas mais emocionantes do livro, quando se recusou a partir para Israel mesmo estando na lista para partir, pois Hans estava muito doente e ela tinha medo de ir embora e deixar as netas para trás. Pouco tempo depois, a avó de Hannah acabou sucumbindo, também em Westerbork, mas nenhuma dessas cenas é mostrada no filme, uma vez que os avós de Hannah nem existem entre os personagens principais.


6) Hannah convidada para ir ao anexo 

Outra falta que o filme cometeu foi o fato de ter dado a entender que Otto teria convidado Hanneli para se esconder com ele e sua família no Anexo Secreto, mas que Hanneli não foi escolhida por que seus pais não permitiram. Essa informação, além de falsa, pode dar a entender que mais pessoas sabiam que Otto Frank estava planejando se esconder e fazer parecer que tinha partido para a Suíça, o que não é verdadeiro. 

Também é incorreto que Anne e Hannah exploraram o Anexo diversas vezes, que o espaço ficava aberto e que as duas puderam desconfiar de que tinha alguma coisa por vir. No dia em que se escondeu, Anne não fazia ideia de onde estava indo, e estava aterrorizada, vestindo diversas camadas de roupa, uma por cima da outra, já que judeus levando malas poderiam ser considerados suspeitos.

Chega a ser irresponsável por parte do roteiro retratar esse tipo de realidade, que pode confundir e enganar expectadores que não tem tanto domínio a respeito da história de Anne Frank. Obras cinematográficas podem ser adaptadas, mas sempre com respeito e responsabilidade, especialmente quando tratam de tragédias e pessoas reais, que infelizmente as vivenciaram.


7) Anne tentando tocar os seios de Hanneli

O fato de Anne ter tentado "sentir" os seios de uma outra garota é verdadeiro e está descrito em seu diário. Mas a garota em questão é Jacque, com quem Anne conversava abertamente sobre essas questões. Por saber que Hanneli era mais tímida com esse tipo de assunto, Anne se limitava a provocá-la sobre Alfred.

A amizade de Hanneli com Anne não é, assim como qualquer outra, só flores, e houveram momentos em que ambas tiveram discussões, mas no filme parece que Anne trocaria a amizade de Hannah por popularidade, além de despertar, através da personagem Coco (que nem existe na vida real) ciúmes em sua melhor amiga.

A própria Hannah admite que embora discutisse com Anne por ela ser muito competitiva "e nunca saber perder", ambas tinham ciúmes uma da outra, mas o filme representou de uma forma um tanto deturpada a representação da amizade de ambas, beirando a abusividade.



Foto 11: Hanneli dizendo que "odeia" Anne.



Conclusão

O filme "Minha Melhor Amiga, Anne Frank" é um bom longa metragem, mas ao compararmos com o conteúdo do livro, percebemos que a adaptação não foi uma das mais bem feitas que conhecemos. 

Repleta de ausências, furos e fatos reais substituídos por imaginários, o longa poderia ter sido repensado, e seria mais agradável de se assistir- além de mais impactante- se seguisse com os fatos que realmente aconteceram.

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