Quando a humanidade se torna opcional
Minissérie sobre a vida de Miep Gies inspira espectadores ao exibir a coragem daquela mulher comum, que enfrentou situações extremas apesar dos riscos e do medo.
Por: Julia Segre Data: 23/08/2025 Atualizado em: 31/08/2025
A Small Light- (Uma pequena luz, em português) é uma minissérie produzida pela National Geographic Channel. Com direção dividida entre Susanna Fogel, Leslie Hope e Tony Phelan e Joan Rater, acompanhamos a história de Miep Gies, uma secretária que, assim como Victor Kugler, Johanes Kleiman e Bep Voskujil, ajudou Anne Frank e sua família a se esconderem dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Estrelada por Bel Powley, a minissérie é a segunda iniciativa de se fazer uma produção sobre a vida e o legado de Anne Frank sem que Anne seja, necessariamente, a personagem principal. A primeira ocorreu dois anos antes, em 2021, quando a Netflix lançou "Minha melhor amiga, Anne Frank", filme que contava a história de Hanneli Goslar, uma grande amiga de Anne Frank, e suas experiências pessoais durante a segunda guerra.
Figura 01: Cartaz Oficial de A Small Light (2023)
Em oito episódios, temos acesso a famosa história de Anne Frank sob uma nova lente, além de nos aprofundarmos ainda mais na história de Miep, sua vida pessoal e a forma como ela conciliava o seu dever com o perigo, e neste artigo vamos analisar cada um dos episódios a fim de verificar se esta série, com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, realmente faz jus a história e aos feitos desta importante e inspiradora figura histórica.
1x1- Piloto
É impossível falar de A Small Light e não pensar no tamanho da sua fidelidade com os acontecimentos reais que a inspiraram. A minissérie é fiel aos fatos históricos antes mesmo do primeiro frame ser exibido na tela.
A começar de seu título, A Small Light, retirado diretamente de uma frase famosa da própria Miep Gies, que apesar de ter enfrentado a situação com uma coragem que poucos tinham naqueles tempos tão adversos, recusava humildemente o título de heroína; "[...] Mas mesmo uma secretária comum, ou uma dona de casa, ou um adolescente pode, de suas próprias maneiras pequenas, ascender uma pequena luz em um quarto escuro."
A minissérie se inicia no presente, em um momento decisivo; a família Frank está se dirigindo para o esconderijo improvisado nos fundos da Opekta, lugar que mais tarde seria eternizado como Anexo Secreto devido a convocação precoce de Margot Frank para os campos de trabalho.
Figura 02: Margot e Miep diante do ponto de verificação nazista.
É muito perigoso irem todos juntos, então a família decide se locomover até o local a sós, separando-se de Margot e a deixando aos cuidados da pessoa em quem eles mais confiavam naquele momento: Miep Gies.
A repetição da recomendação dada por Edith e Otto- pais da jovem- parece reforçar esse sentimento de segurança que existe entre os Frank e a jovem secretária: "Faça tudo o que Miep mandar".
Figura 03: Margot se despedindo de sua família antes de partir com Miep para o Anexo Secreto.
Enquanto este momento de tensão se estende, o episódio volta no tempo em algumas semanas, onde a rotina de Miep com seus irmãos e sua família adotiva é mostrada.
Seus pais parecem estar excessivamente preocupados com o seu futuro, e particularmente me agradou esse tipo de retratação da jovem Miep Gies, que parecia sempre estar a deriva de um propósito, sonho ou aspiração, apenas algumas semanas antes de conhecer Otto Frank, o homem que mudaria completamente a sua vida, da mesma maneira que a sua presença também marcaria profundamente a dele.
Imagem 04: Miep reunida com sua família adotiva no café da manhã.
Por pressão familiar e com a ajuda de seu irmão, Miep conseguiu uma entrevista para a vaga de secretaria de Otto Frank na empresa Opekta. Em meio a uma cena sincera e de teor levemente humorístico, Miep consegue conquistar a vaga.
A minissérie consegue, mais uma vez, ser extremamente fiel aos acontecimentos canônicos, uma vez que a primeira tarefa de Miep como secretária oficial da empresa de Otto é se encarregar do preparo de geleias, atividade que Miep acredita ser repugnante até entender o verdadeiro significado dela.
Imagem 05: Miep confrontando Otto.
Outro ponto interessante de se ver na série é a forma como Anne é retratada. Como leitores do famoso diário, conhecemos os acontecimentos que se sucedem, mas todos no ponto de vista da jovem de apenas treze anos.
Enxergar a figura da caçula dos Frank, com suas perguntas implacáveis em meio aquele cenário avassalador, ajuda a expandir nossa compreensão a respeito da forma que Anne era tratada, deixando no ar até mesmo pontos de vista dos demais personagens que estão na cena, como Margot e Edith Frank, por exemplo.
Imagem 06: Anne discutindo com a sua família em: "A Small Light".
Percebemos também o tamanho da importância que Miep tem para a família Frank, que vai muito além dos tempos de esconderijo. A secretária, além de auxiliar a família de seus patrões nos tempos de guerra, também foi a grande responsável por trazer Moortije, a tão adorada gatinha de Anne, para o lar dos Frank, recém chegados a Holanda.
Imagem 07: Miep apresentando a gatinha para Anne e Margot.
O destaque do capítulo é, na minha opinião, a forma como o roteiro conseguiu acelerar a história de Miep, mas ainda sim mantendo a intensidade dos fatos que ela vivenciou no passado.
Imagem 08: Miep em uma padaria com Otto Frank. Na cena, ambos conversam sobre o passado.
Tendo sido uma criança subnutrida na Áustria, Miep foi trazida para a Holanda em meio a Primeira Guerra Mundial, se separando de sua mãe biológica. Este fato, bem como a fidelidade da relação que ela possuía com seu patrão e seu marido Jan Gies, exalta a habilidade da série que, apesar de possuir poucos capítulos, consegue capturar a profundidade e a essência das relações que a jovem secretária tinha com outras pessoas, encaixando tais peças com maestria e habilidade, sem impactar o espectador, dando tempo a ele de desfrutar cada camada e momento que o episódio tem a oferecer.
Imagem 09: Miep e Jan Gies.
1x2- Bem vindos a Suíça
O segundo capítulo da minissérie, assim como o primeiro, progride com muitas narrativas, mas segue mantendo a mesma lógica e coerência do capítulo anterior, fazendo com que o espectador consiga se sentir confortável com o avanço da narrativa, mesmo em meio a um país que está a beira do colapso.
O conflito central do capítulo é a busca por comida para os habitantes do Anexo. Com os oficiais nazistas supervisionando e considerando suspeitos os cidadãos que compram alimentos em grandes quantidades, o básico faltando nas prateleiras e os preços subindo as alturas, acompanhamos a jornada de Miep, que se desdobra de todas as maneiras possíveis para conseguir uma porção extra de comida para seus amigos do Anexo.
Imagem 10: Miep sendo excessivamente gentil com o açougueiro, interessada em um frango mais robusto.
Ao mesmo tempo, a secretária é atingida por uma dor intensa no dente, o que a leva ao escritório do Dr. Fritz Pfeffer, futuro integrante do Anexo Secreto. Por falta de tempo, Miep opta por fazer o tratamento mais demorado de seu dente, o que mais tarde será fonte de remorso a Otto, que exige que a funcionária trate sua enfermidade durante seu horário de expediente.
Assim como aconteceu na vida real, Fritz pergunta a Miep se ela conhece algum lugar onde ele poderia se esconder, se mostrando realmente desesperado em meio a uma cena significativa e de alta sensibilidade. Fritz e Miep mal se conhecem, mas Fritz não tem outra escolha se não implorar por ajuda, já que sozinho ele infelizmente não pode garantir sua própria segurança.
Imagem 11: Fritz emocionado perguntando para Miep se ela conhece algum esconderijo.
A partir deste ponto, ficção e realidade se misturam. Embora tenha sido mencionada a "agenda", do Dr.Pfeffer quando Miep enfim revelou ao dentista que havia um esconderijo disponível para ele, o homem foi imediatamente encaminhado para o Anexo, o que não acontece na vida real, e que se tornaria motivo de ironia por parte de Anne em seu diário: "Ela (Miep) acrescentou que ele (Fritz) teria de se esconder o mais rápido possível, de preferência no sábado, mas ele achou isso altamente improvável, porque queria atualizar seus registros, pagar as contas e atender alguns pacientes. [...] Acho estranho ele não ter vindo imediatamente depois de nossa proposta. Se o pegarem na rua, seus registros ou seus pacientes não vão ajudar em nada. Então, por que o adiamento? Se você me perguntar, eu digo que é burrice de papai dar trela para ele."
No entanto, assim como na vida real, a chegada de Fritz Pfeffer é celebrada pelos demais habitantes, e Anne chega a escrever uma lista de regras da casa para que o novo companheiro- com quem mais tarde se desentenderia muitas vezes e dividiria o quarto- se sentisse mais confortável dentro do contexto da clandestinidade.
Imagem 12: Fritz sendo recebido pelos outros habitantes do Anexo.
Ficção e realidade também se misturam em relação a mobília da casa dos Frank, e o destino de Moortije, a gata de Anne Frank. Enquanto na série Miep esconde o que houve, tanto com a gata quanto com a mobília, na vida real Miep informa todos os habitantes do Anexo com fidelidade a respeito de todos os acontecimentos, mas para de fazer isso ao perceber que Edith e Auguste, em especial, ficam muito abaladas com as notícias do mundo lá fora.
A minissérie inverteu o acontecimento, mantendo um clima pesado e um fardo a mais nas costas da jovem secretária, que quer a confiança de seus amigos, mas ao mesmo tempo quer poupá-los das notícias mais difíceis.
Imagem 13: Miep quando descobrem que a mobília dos Frank foi tomada por nazistas.
Um dos grandes pontos altos do episódio é a atuação de Liev Schreiber, que interpretou Otto Frank em A Small Light. Graças a genialidade do roteiro e de sua interpretação, conseguimos ver facetas diferentes deste personagem tão introspectivo, que se permite ter um acesso de raiva soltando um grito de estresse, digno de alguém que está sendo reprimido simplesmente por existir, quando os ponteiros do relógio da igreja em frente ao esconderijo da Prinsengracht.
Imagem 14: Otto Frank gritando de costas para Miep.
Um ponto muito explorado na série, e que pra mim é motivo de muitos elogios, são os avanços e o tempo dedicado de tela a vida pessoal de Miep. Apesar de ser reconhecida mundialmente por sua coragem e empatia ao ajudar Anne Frank e sua família, é importante lembrar que Miep também era uma mulher comum, que possuía problemas comuns.
As cenas onde Miep reencontra sua melhor amiga, Tess, que percebeu o distanciamento da mesma, mas que nunca saberá exatamente o motivo, seu noivo, simpatizante do partido nazista, e o fato de que eles mal podem se dar ao trabalho de serem jovens por conta de todas as coisas ruins que tem acontecido do lado de fora, apenas reforçam o fato de que Miep se via cada vez mais cercada de problemas, embora não fosse alvo direto deles.
Imagem 15: Miep e Jan observando judeus sendo presos e arrastados para caminhões de gado, após passarem a noite se divertindo em um bar.
É interessante também ressaltar que Jan também tem o seu próprio arco dentro da minissérie, o que é mais uma vez impressionante, visto que tantas tramas são encaixadas ao mesmo tempo de forma leve, sem sobrecarregar o expectador, e sem deixar o episódio grande ou maçante, uma vez que cada um dos títulos possuí de 40 a 50 minutos, o tempo padrão para qualquer série de TV. Neste episódio em específico, o marido de Miep deve bolar um novo esquema para conseguir cupons de racionamento, e lidar com as suspeitas de seu chefe, que começa a verificar de forma cada vez mais detalhada os seus relatórios, em busca de possíveis desvios e irregularidades.
Imagem 16: Jan sendo questionado por seu chefe.
Até mesmo na casa de Miep os roteiristas introduziram um conflito, quando a família da proprietária do apartamento deles- um casal de judeus com dois filhos pequenos- passa a se abrigar temporariamente na casa deles, fugindo do regime nazista. Este conflito chega ao seu ápice ao final do episódio, quando o casal resolve tentar retornar para o lugar de onde veio e acaba sendo preso na estação de trem.
Em meio a uma irônica- mas surpreendente- demonstração de humanidade da parte de um oficial nazista, as crianças são poupadas de um destino mais cruel quando o próprio soldado as leva de volta ao apartamento de Miep e Jan, encerrando o episódio.
Imagem 17: Miep abraçando as crianças assustadas.
1x3- Terra Natal
Empatia. Esta é a palavra chave do episódio três.
Temos uma retomada muito interessante no passado de Miep, onde ela se vê no lugar da pequena Liddy, que deve fugir para um esconderijo o mais breve possível, uma vez que seus pais foram presos pelos nazistas e a sua presença na Holanda atraí cada vez mais perigo. Ao encorajar a menina, que terá que se separar de seu irmão para viver em um lugar totalmente desconhecido, Miep conta a sua história para Liddy, explicando que com ela havia acontecido exatamente a mesma coisa.
Imagem 18: Flashback de Miep, quando pequena, partindo da Áustria rumo a Holanda.
Em meio a essa ligação com o seu passado e o fato de que as crianças estão sob sua responsabilidade, a série abriu pauta sobre o desejo que a Miep tinha de não ter filhos, desejo este que sabemos que historicamente não se concretizou, pois muitos anos após a guerra, e depois de muitas tentativas, Miep e Jan tiveram seu único filho, Paul Gies. Apesar do conflito de Miep Gies em relação a maternidade ser fictício, se encaixou muito bem na perspectiva da personagem, não só devido ao período turbulento em que eles viviam, mas também pelas experiências que a própria Miep teve no passado.
Imagem 19: Miep e Jan discutindo a respeito de maternidade na rua.
Enquanto isso, Jan descobre que seu chefe não estava tentando derrubá-lo; na verdade, o homem queria a sua ajuda para fazer parte da resistência. Jurando não contar de seu envolvimento a ninguém, nem mesmo a sua esposa, Jan aceita, em busca de encontrar um lugar seguro para Liddy e Alfred.
Ao se deparar com um bar underground, repleto de pessoas não judias perseguidas pelo sistema, Jan recebe a missão de pegar um documento que estaria escondido em uma cômoda de um apartamento que estava sendo vasculhado pelos nazistas. Se completasse a missão com êxito, conseguiria a ajuda que estava buscando.
Jan aceita a missão, mas para a sua grande surpresa, o que tinha dentro da cômoda não era um documento, e sim uma criança. Atônito e assustado, ele consegue agarrar o bebê e entregá-lo a uma membro da resistência em segurança, tudo de acordo com o plano.
Imagem 20: Jan com o bebê judeu.
O episódio também trás um tópico importante sobre o regime de perseguição nazista. Embora na vida real Cas, o irmão de Miep, não fosse homossexual, a sua representatividade na série é muito importante, pois trás a tona um assunto que poucas pessoas tem conhecimento; o regime nazista perseguia principalmente judeus, mas não apenas judeus. Outros grupos, como negros, asiáticos, testemunhas de jeová e homossexuais também eram considerados ilegais e eram, assim como a comunidade judaica, presos e levados a campos de concentração.
Tomado pelo mesmo medo que os judeus sentem em serem presos por simplesmente existirem, Cas confessa seus sentimentos a Miep, gerando um clima de tensão entre os dois.
Imagem 21: Cas conversando com Miep sobre a sua situação.
Como dito anteriormente, o episódio três é marcado principalmente pela empatia. E também pela falta dela.
Somos apresentados, no terceiro episódio, ao personagem Tonny Ahlers. Um holandês que havia se aliado ao partido nazista, e que estava usando de uma frase que Otto teria dito em uma reunião de negócios como chantagem para conseguir arrancar dinheiro dele.
O personagem (que não é fictício e é de fato um dos principais suspeitos de ter delatado a família Frank a Gestapo) protagoniza uma das cenas mais tensas da série, onde claramente não se dá por convencido de que Otto estaria na Suíça e anota o nome de cada um dos ajudantes do escritório.
Imagem 22: Ahlers interrogando Miep.
1x4- Borboleta
Anne Frank escrevia todos os acontecimentos do Anexo Secreto em seu diário, mas seria, no mínimo, injusto, dizer que o que a garota de quinze anos escrevia era, de fato, uma verdade absoluta.
Em meio ao confinamento e a necessidade de ficar em silêncio a todo momento, adicionados ao medo de serem descobertos, problemas pequenos se tornavam graves discussões; coisas que seriam normalmente resolvidas com um simples bater de porta, como a própria Anne descreveu em seu diário.
Por conta disso, alguns habitantes do Anexo, como Auguste e Edith foram "vilanizados" em alguns momentos do diário de Anne, por terem tido alguns atritos com a garota durante o tempo em que estiveram escondidos.
No entanto, nenhum desses atritos se compara com o papel de Fritz Pfeffer no diário de Anne. Batizado como Dussel (O que significa "idiota" em alemão) na versão original do diário, recebemos inúmeras passagens nas quais Anne entra em conflito direto com o seu companheiro de quarto pelos mais diversos motivos. Por conta disso, Fritz sempre foi o "menos querido" dos habitantes, tido como um adulto mesquinho que não sabia dividir as próprias coisas.
Imagem 23: Fritz Pfeffer em A Small Light.
Em inúmeras adaptações, ele foi retratado de maneira negativa, chegando até mesmo a ser um "ladrão de comida" em peças de teatro, o que gerou revolta por parte dos familiares do falecido dentista. No entanto, em A Small Light, vemos uma outra faceta dessa figura histórica tão controversa.
Ao retratá-lo como o único habitante que não está junto de sua própria família, e que é obrigado a conviver com estranhos, uma vez que a família Van Pels e a família Frank são muito próximas e conviviam juntas por anos, Fritz tem o seu arco de redenção ao percebermos, através de suas falas e ações, o quão difícil poderia estar sendo para o dentista, muito mais do que para os outros habitantes, aquela adaptação, já que na ausência de todas as alegrias lá fora, os demais ao menos podiam contar uns com os outros, enquanto ele não estava incluso na roda de conforto e intimidade das famílias reunidas.
Imagem 24: Fritz isolado na mesa de café da manhã.
Miep também parece enxergar esse fato ao mesmo tempo que o espectador, e ao receber uma visita de Lotte, a noiva do dentista, ela tem uma ideia que permite que ele seja capaz ao menos de ouvir a voz dela através do tubo de ventilação, protagonizando uma cena emocionante e repleta de empatia por parte da secretaria da Opteka.
Imagem 25: Fritz escutando a voz de Lotte.
Seguindo os eventos canônicos do diário, a série aborda o primeiro dos dois assaltos que o Anexo Secreto sofreu durante os dois anos em que os oito habitantes permaneceram escondidos, e utiliza desse acontecimento um contexto para adicionar a icônica entrada para o esconderijo, feita com uma estante de livros que pareceria grudada na parede, mas que na verdade se moveria, permitindo que os visitantes entrassem.
Imagem 26: Estante de livros do Anexo Secreto em A Small Light.
A série também abordou a cerimônia do Chanucá, liderada por Hermann, onde Otto se emociona em meio a história tradicional do povo judaico, por que reflete o significado e a importância de ainda se manterem tradições como esta em meio ao contexto que eles enfrentam do lado de fora.
Embora isso não tenha acontecido na vida real, essa cena é seguida por uma atitude nobre de Fritz, que divide seus ganhos com seus companheiros, garantindo a ceia farta do Chanucá.
Imagem 27: Fritz cedendo a cesta que ganhou de presente de sua noiva para os outros habitantes do Anexo.
Enquanto isso, os problemas de Miep e Jan continuam.
Embora a personagem Tess seja fictícia, ela representa algo muito importante, e que deve ter acontecido aos montes na Holanda ocupada durante a segunda guerra mundial; pessoas que são, de fato, boas, se aliando com nazistas ou simpatizantes desse regime totalitário.
Após descobrir que o noivo de Tess era aliado ao Partido Nazista Holandês e estava fazendo negócios com eles, Miep se vê obrigada a encerrar sua amizade com Tess ao perceber que ela não iria deixá-lo por esse motivo.
As duas protagonizam uma cena de grande impacto, onde Tess admite que o seu futuro depende daquele relacionamento, enquanto Miep declara de volta, de forma sombria: "Um dia, essa guerra vai ter fim. E quando isso acontecer, você terá que viver com você mesma."
Imagem 28: Tess chorando após a discussão que teve com Miep.
Mais cedo, neste mesmo episódio, Miep é presenteada com um colar pela própria Tess, apenas para descobrir que o artefato, na verdade, é roubado de judeus. As borboletas, quando unidas, se transformavam na famosa Estrela de Davi, fato este que foi revelado por Otto, após ver sua secretária usando o acessório.
Imagem 29: Estrela de Davi presente no colar que Miep usou.
Por fim, o episódio também trás o drama de Jan como novo membro da resistência. Usando suas habilidades de assistente social para ajudar os judeus que estavam se escondendo para não serem mortos, ele conversa com um casal que teve de entregar o seu filho a uma família não judia para que permanecesse seguro dos nazistas, porém o casal estava escondido dentro de uma igreja, fato este que faz com que as suspeitas de Miep aumentem em relação ao que ele estava escondendo dela.
Imagem 30: Miep percebendo que Jan estava indo a igreja, após segui-lo.
O casal está aflito, mas a mãe em especial se encontra em estado de negação e depressão profunda por ter sido obrigada a entregar seu bebê. Entrando em profundo estado de histeria (nome da personagem) acaba colocando os outros em perigo com os gritos aflitos que emite, forçando Jan a tomar uma decisão.
Inspirado pela forma como sua esposa lidou com a situação de Fritz, Jan conversa com a família adotiva do garotinho e pede para que eles se posicionem a frente da janela da igreja por tempo o suficiente para que a mãe pudesse vê-lo a distância, e verificar com os próprios olhos o quanto ele estava seguro e saudável.
Embora a atitude tenha sido nobre, e a intenção, boa, quando Maya vê seu filho outra vez, ela acaba caindo em um estado completamente histérico, e tenta fugir da igreja para ir ao encontro de seu filho do lado de fora. Por sorte, ela acaba sendo contida no último instante pelo padre responsável por aquela capela.
Imagem 31: Padre contendo Maya, que chora por seu filho.
1x5- Scheibfeld
Este episódio começa com uma dramatização da clássica fotografia dos Frank, que estão acompanhando o casamento de Miep, feito ás pressas devido ao fato dos nazistas estarem expulsando os imigrantes do território holandês.
Imagem 32: Fotografia real da família Frank acompanhando o casamento de Miep, no qual Anne foi a dama de honra.
Casamento parece ser uma boa palavra para definir este episódio de A Small Light, pois esta cena é reprisada diversas vezes sob vários pontos de vista, enquanto fortalece ainda mais a química existente entre Miep e Jan, quando o mesmo decide se juntar a uma perigosa missão junto a resistência.
Imagem 33: Miep e Jan se casando em A Small Light.
Este capítulo é reservado única e exclusivamente ao papel de Jan na resistência. Sempre muito discreto, e usando sua profissão para conseguir entrar em locais restritos e conseguir cupons de racionamento com mais facilidade, Jan resolve se juntar a uma perigosa empreitada com seus companheiros anti-nazistas; queimar completamente o cartório da cidade, fazendo com que os guardas alemães perdessem completamente os registros dos judeus que ainda ocupavam o país.
Imagem 34: Membros da resistência discutindo o plano.
Apesar da determinação de Jan, Wilem, o líder da resistência, não parece acreditar na possibilidade de Jan se envolver com aquele tipo de conflito, uma vez que o incêndio era um ato de rebelião coordenado, que envolveria matar e morrer em nome daquele objetivo, o que cria uma verdadeira camada de tensão ao episódio.
Após ver seu professor universitário, alguém que ele admirava e respeitava, ser humilhado por dois nazistas na rua, Jan está decidido; ele irá participar do motim.
Jan só não esperava que Cass, irmão de Miep, acabasse descobrindo o seu envolvimento com a resistência, e o que eles estavam planejando. Sendo grande parte dos combatentes homossexuais, e tendo como um bar clandestino o principal local de encontro, Cass acabou avistando Jan juntamente com os outros homens, bebendo na noite anterior ao plano.
Imagem 35: Cass no bar da resistência.
Atordoado, Cass corre até o escritório da Opteka, e conta a Miep o que aconteceu, gerando como consequência uma das cenas mais tensas de toda a série; Miep encontra o revólver de Jan e o persuade de todas as maneiras possíveis a ficar fora daquela confusão. Jan, no entanto, nada responde, apenas deixa a casa.
A incerteza sobre a participação de Jan no incêndio permanece até os últimos momentos do episódio, quando, quase quatro dias depois do incidente, Miep recebe uma carta sem remetente e sem nenhuma informação, a não ser "Campo de merda", uma referência claríssima ao local onde Miep o pediu em casamento.
Imagem 36: Bilhete de Jan a Miep em A Small Light.
Miep corre de encontro a ele apenas para descobrir que na verdade, ele acabou não indo ao ataque, exatamente da mesma maneira que isso aconteceu na vida real, conforme relembra Miep em seu livro autobiográfico: "Recordando Anne Frank".
Imagem 37: Miep e Jan se reencontrando.
Enquanto este conflito principal se desenrola, outros enredos, de cunho menor, surgem e se desdobram na trama. Vemos muito rapidamente- e mais uma vez de maneira muito mais neutra- o romance de Anne com Peter, o papel de liderança que Otto tinha em relação aos demais membros do Anexo Secreto, acalmando a todos quando os bombardeios aconteceram, e a adição do sobrinho da inquilina de Miep ao apartamento que ela dividia com o marido.
Assim como na vida real, o jovem Kunno (Seu nome verdadeiro é Karel) acabou tendo desavenças com o partido nazista, se tornando ilegal. Era necessário que ele se escondesse em algum lugar, e por isso permaneceu com Miep e Jan escondido até o final da guerra acabar. Ao contrário de Anne Frank e sua família, fulano conseguiu sobreviver a Segunda Guerra são e salvo, sem ser descoberto ou deportado.
Imagem 38: Kunno se apresentando a Miep e Jan.
1x6- Ponto de ebulição
Tensão. Esta é uma palavra que acompanha este episódio de A Small Light, que mais uma vez parece ter escolhido perfeitamente o nome do título de seu episódio, uma vez que a frase "Ponto de ebulição" parece refletir completamente os sentimentos que os personagens- especialmente Miep- carregam.
Neste capítulo, há um pequeno afastamento do enredo da história pessoal da protagonista, mostrando o cotidiano de uma enfermeira que procura salvar as crianças do regime nazista- A essa altura, já era de conhecimento de todos o destino das crianças que chegavam aos campos de concentração, por isso a inciativa silenciosa- mas corajosa- desta personagem em salvar o máximo de crianças que estivessem ao seu alcance, o que ajuda a traduzir um pouco da atmosfera de tensão que existe neste episódio.
Imagem 39: Enfermeira entregando a Jan um bebê que se esconderá até o final da guerra com uma família não judia.
Enquanto os enredos das enfermeiras se conectam com os de Miep e Jan, a quem elas correm em busca de abrigo, diversas facetas de resistência são apresentadas e desdobradas neste episódio, até uma surpreendente atitude de um soldado da chamada "Polícia Verde", que não apenas libera Jan da prisão (após o mesmo questionar o motivo pelo qual os nazistas confiscariam sua bicicleta) como também ajudou judeus a se esconderem de seus próprios companheiros.
Imagem 40: Oficial da Polícia Verde libertando Jan da prisão.
E os conflitos continuam surgindo, após o outro, como verdadeiros aborrecimentos dignos da vida de alguém que vive com medo de ser preso, torturado e até mesmo morto por estar fazendo a coisa certa. A reaparição de Tonny Ahlers, que dá a entender que tem conhecimento do Anexo Secreto e o fornecedor de batatas parecia saber exatamente por que a Opteka fazia pedidos tão volumosos, o que poderia ilustrar o palpite de muitos historiadores e pesquisadores recentes de que o Anexo seria qualquer coisa, menos secreto.
Ao mesmo tempo, colaboradores do regime alemão que entram na casa de Miep a fim de insepcionar a mobília para vendê-la a terceiros e o vizinho do andar de cima, um oficial nazista que poderia escutá-los a qualquer momento do dia só tornam o sentimento de angústia cada vez mais forte a medida que o episódio progride.
Imagem 41: Novo vizinho de Miep, a cumprimentando.
Como se tudo isso já não fosse o suficiente, Kuno passa mal e quase morre em meio a sua situação clandestina, uma vez que levá-lo ao hospital não poderia, de forma alguma, ser considerada uma hipótese. Mesmo quando seu ferimento infeccionado estoura, causando sangramento em seu rosto, o jovem mal pode se permitir gritar de dor, por que no instante seguinte já havia uma pessoa do outro lado da porta, com um révolver em mãos, ávida para saber o que poderia ter acontecido.
Imagem 42: Jan e Miep atendendo a porta após o grito de Kuno.
Em meio a sua confusão mental (que só aumentou após ter visto o corpo de um homem judeu boiando em um canal) e suas preocupações constantes, Miep deve lidar com seus amigos do Anexo "perdendo a compostura". Com a notícia dos aliados tomando a França, a guerra está praticamente encerrada e para os habitantes do Anexo, isso é motivo de comemoração e esperança.
Apesar do sentimento geral de satisfação, Edith parece discordar dessa sensação. Delirante, ela chega até mesmo a sair do esconderijo por um instante, admitindo a Miep que tem um pressentimento muito ruim do que está por vir.
Imagem 43: Edith conversando com Miep após sair do esconderijo.
Embora não haja relatos da Senhora Frank em si, houveram "surtos" de depressão em alguns habitantes do Anexo, como Auguste e Anne, que chegou a tomar valeriana para tentar controlar o sentimento avassalador de tristeza que tomava conta de seu peito, agravando ainda mais pelos longos anos de isolamento.
Apesar de não seguir exatamente a risca os acontecimentos históricos como foi executado com o acidente dos feijões e o atropelamento de Miep por um veículo nazista, a série concentrou em Edith a mensagem claríssima que o episódio estava tentando transmitir: Alguma coisa estava prestes a acontecer. Alguma coisa grave, e a forma como o episódio acabou, com uma arma de um oficial da SS apontada para a cabeça de Miep apenas confirmou essa hipótese.
Imagem 44: Arma apontada para Miep ao final do episódio seis.
1x7- O que se pode guardar
Como alguém que consome muitos conteúdos relacionados a Anne Frank e a sua pessoa, já presenciei diversas vezes a dramatização de sua captura, sob diversos ângulos e abordagens. Ainda sim, cada uma delas é capaz de fazer com que o mesmo sentimento de impotência diante da crueldade humana permaneça o mesmo.
É muito triste imaginar que os habitantes do Anexo se esconderam durante dois anos e meio dos piores predadores que existem, e só tenham conseguido colocar os pés para fora no momento em que foram levados para um caminhão de gado para a Gestapo. É igualmente desesperador saber que eles estavam no último transporte para Auschwitz , e que a guerra estava tão próxima do fim quanto a captura aconteceu.
O que se pode guardar é, com certa, o episódio mais denso de A Small Light. Ele começa com o cotidiano de cada um dos ajudantes do anexo, fazendo uma retomada do que parecia ser um lindo dia ensolarado, que combinava perfeitamente com o sentimento de esperança carregado não apenas pelos funcionários, como também pelos próprios habitantes do Anexo, eufóricos após as notícias do Dia D.
Imagem 45: Victor se despedindo de sua esposa antes de ir trabalhar.
A ocupação dos nazistas ao prédio sob a perspectiva de Miep, que nada pôde fazer diante do avanço dos nazistas, apenas ouvir os gritos vindos do andar de cima, gritos de seus amigos, os mesmos que ela tanto se esforçou para salvar naqueles tempos tão difíceis, só torna a atmosfera ainda mais pesada.
Imagem 46: Anne Frank do lado de fora pela primeira vez em dois anos e meio, instantes antes de ser levada pela Gestapo.
Mais uma vez, a série trouxe fidelidade a respeito dos acontecimentos históricos que se sucederam naquele 04 de Agosto de 1944. Bep conseguiu escapar da fiscalização nazista. Victor e Johanes são presos junto com os demais integrantes do Anexo. Miep é ameaçada com uma arma em sua cabeça, mas acaba sendo poupada pois o soldado nazista que prendeu os judeus era, exatamente como Miep, um cidadão de Viena.
É nesse momento de diálogo intenso entre Miep e o oficial nazista que um dos diálogos mais poderosos da série acontece. A secretária usa de sua nacionalidade como barganha para a soltura de seus amigos, ao menos as filhas do Sr.Frank; “Olhe só pra você. Você sabe que isso é errado. Vocês já perderam a guerra, por que vocês não deixam eles simplesmente...ficarem?”
Imagem 47: Miep e o oficial Karl Silberbauer.
O episódio, no entanto, não termina sem a determinação de Miep para fazer tudo o que estava em seu alcance para salvar Otto e sua família. O casal Gies arrecada, assim como na vida real, uma boa quantia em dinheiro para subornar o Silberbauer, um oficial que pertencia a baixíssima classe do partido nazista, a fim de soltar seus amigos.
Uma cena realmente emocionante, já que vemos a mobilização de diversas pessoas que perderam bens, amigos e familiares para os nazistas, mas ainda não haviam perdido a sua humanidade e a sua capacidade de ajudar ao próximo.
A cena, apesar de bonita, nos faz lamentar ao refletir que nem mesmo esta atitude tão bela de empatia ao próximo foi capaz de libertar Anne Frank e sua família do destino cruel que estava reservado a eles.
Imagem 48: Miep, Jan e Kuno contando o dinheiro arrecadado para a soltura dos habitantes do Anexo.
1x8- Legado
No último episódio da série, recebemos a notícia que a tentativa de suborno de Miep aos
nazistas infelizmente não foi bem sucedida. Em uma jogada ardilosa, o oficial fica com o dinheiro de Miep e a expulsa de maneira grosseira do prédio, deixando/ a secretária em lágrimas.
Imagem 49: Miep e Jan se reencontrando do lado de fora do prédio nazista.
Com nada a ser feito a não ser esperar, Miep procura tocar a Opekta para Otto até que ele retorne da guerra e volta a visitar o Anexo Secreto, desta vez revirado, em busca de pertences e objetos de valor a serem guardados, para evitar que caiam nas mãos dos nazistas novamente.
É neste momento que ocorre a cena mais importante de toda a série, o achado que mudou o rumo de toda história; o momento em que Miep percebe e recolhe as folhas anexas ao caderno xadrez de capa vermelha; O Diário de Anne Frank.
Imagem 50: Miep, Jan e Bep encontrando o diário de Anne.
Miep guarda todas as folhas com cuidado e zelo em uma gaveta, confiante de que entregará o caderno a Anne assim que ela retornar.
Ao longo do episódio, vamos tendo diversos altos e baixos. Vemos Miep tentando seguir com a sua rotina, seus amigos retornando aos poucos com suas histórias de sobrevivência, a falta de comida presente em Amsterdã, Jan destruindo a mobília para conseguir um pouco de calor dentro de casa, dentre muitas outras coisas.
A Holanda é enfim libertada do controle nazista em uma cena de cunho nacionalista onde os soldados dos Estados Unidos são saudados pelo povo holandês e considerados heróis por salvar a nação, e é exatamente desta forma que se inicia a segunda parte do episódio, dedicada inteiramente ao pós-guerra.
Vemos todos os demais assuntos que a série abordou sendo encerrados de maneira magistral. Após Kuno se mudar ao perceber que já não estava mais seguro ao lado de Miep e Jan no capítulo anterior, vemos Jan trabalhando para ajudar a identificar os judeus que conseguiram retornar dos campos de concentração, prestando assistência e ajudando a identificar familiares e entes queridos.
Imagem 51: Miep e Jan na rodoviária de Amsterdã.
Temos também o encerramento do arco de Alfred e Liddy. É descoberto que Liddy infelizmente faleceu devido ao fato de ter adoecido durante a guerra. Seus pais adotivos chegaram a chamar por um médico, mas o mesmo percebeu que Liddy não era filha deles de sangue, e que era uma criança judia. Por isso, o doutor teria se recusado a trata-la, o que causou sua morte, fato que deixou Jan muito abalado.
Alfred, por outro lado, conseguiu retornar a Amsterdã para rever sua avó, protagonizando uma cena emocionante ao declarar: “Eu me lembro de você” para a pobre senhora.
Imagem 52: Reencontro de Alfred com sua avó em Amsterdã
O casal judeu que se escondeu na igreja durante a guerra também aparece no último episódio. Enquanto Miep e Jan caminham pelo parque, os dois judeus parecem reconhecer Jan da resistência, e entram em seu caminho exclusivamente para agradecê-los pelo bom serviço prestado.
Imagem 53: Casal reencontrando Jan em um parque em Amsterdã.
O ponto alto do capítulo é, no entanto, o retorno de Otto para casa. Marcado pela solidão de já saber que sua esposa estava morta, Otto também recebe a notícia do falecimento de Anne e Margot, e o diário de sua filha parece ser a única forma possível de seguir em frente.
A série se encerra com algumas frases em laranja, contando os fatos históricos do que houve a seguir, ao mesmo tempo que Miep caminha próxima a lugares onde grandes cenas da série ocorreram, como o cartório que a resistência colocou em chamas ou o ponto de verificação nazista do primeiro episódio.
Conclusão
A Small Light é uma minissérie extremamente bem executada e muito emocionante, capaz de trazer com fidelidade todos os fatos que ocorreram não apenas na vida de Anne Frank, mas também na vida da própria Miep Gies, uma secretária comum que com sua coragem extraordinária, foi capaz de ajudar a esconder a família Frank e os demais moradores do Anexo Secreto dos piores predadores que este mundo já viu.
Apesar da série ser sobre a Miep, o que mais me chamou a atenção positivamente nessa produção foi o papel de Jan ao longo de toda a narrativa. Pouco se sabe sobre a participação dele na resistência, e a série trouxe luz a esse assunto tão pouco comentado.
Uma pequena observação é que A Small Light possui um pequeno erro de continuidade envolvendo o personagem terciário Max. No episódio 1x5, ele é salvo, junto com as demais enfermeiras, de um destino mais cruel por Jan, em parceria com o nazista que não o prendeu após a recusa em confiscar sua bicicleta. Ao se despedir de Max, Jan até declara: “Te vejo após a guerra” , dando a entender que tanto ele quanto as enfermeiras estariam seguros.
No entanto, no episódio 1x7 revemos Max, de cabeça raspada, saindo de um dos trens que transportaram os sobreviventes do holocausto para a rodoviária de Amsterdã, dando a entender que o personagem foi capturado e levado prisioneiro, o que não procede com a informação do episódio anterior. A presença de Max na cena, no entanto, é justificada; estando em Awschivitz, Max pôde ser capaz de se reencontrar com Otto Frank, e logo a notícia de que ele estaria vivo pôde ser acessível para Miep e Jan.
Minha única sugestão para a série seria adicionar uma pequena abertura suave, com algumas cenas passando sob a luz de velas, já que se trata de uma produção tão bem feita que merecia esse tipo de carinho especial. No mais, é uma superprodução digna de streaming, e que merece ser assistida por todos aqueles que querem mergulhar mais a respeito da história de Anne Frank, Miep Gies e muitas outras mulheres notáveis da Segunda Guerra Mundial.
Nenhum comentário:
Postar um comentário