A busca por motivação e propósito presente em "Sussurros do Coração".
A busca por motivação e propósito presente em "Sussurros do Coração".
Escrito por: Julia Segre Data: 08/09/2025 Atualizado em: 10/09/2025
Sussurros do Coração (Do original: "Whisper of the heart") é um filme de 1995 produzido pelo estúdio Ghibli, dirigido por Yoshifumi Kondõ, baseado em um mangá de mesmo nome, lançado em 1989.
Foto 01: Capa original do mangá de Sussurros do Coração.
O longa metragem, que ganhou versão em live action no ano de 2022, acompanha a trajetória de Shizuku Tsukinishima, uma jovem que leva uma vida pacata na cidade de Tóquio e que tem uma habilidade notável para a escrita. Leitora voraz de livros de todos os tipos, Shizuku se depara com um mistério que atiça a sua curiosidade; em todo livro que ela pega emprestado, o nome de Seiji Amasawa aparece primeiro do que o dela.
Foto 02: Shizuku se deparando com o nome de Seiji Amasawa em um dos livros que pegou emprestado na biblioteca.
Sonhadora, ela imagina como deve ser o leitor misterioso, enquanto a história se desdobra em reviravoltas promovidas pelo acaso e um caminho que parecia estar destinado a ser trilhado desde o inicio.
Ao contrário de todos os protagonistas, Shizuku não tem um objetivo claro em sua mente. Apesar de gostar de ler e escrever, a garota ainda parece ter ter dúvidas de como seguir seu próprio caminho, o que chama muito a atenção do telespectador devido a essa diferença notável.
Foto 03: Cena onde Shizuku revela para Seiji que não faz ideia de como o seu futuro será. É nesse mesmo frame que ela reproduz uma das frases mais famosas do filme: "Deve ser ótimo saber o que você quer fazer. Eu não faço a mínima ideia. Só vivo dia após dia."
O filme trabalha a trajetória completa da vida de um artista, que constantemente deve lidar com o desejo de se aprimorar, tornar-se maior e melhor do que já é, em meio a uma lição filósofica a respeito de lapidar seus talentos da mesma forma que uma pedra bruta é lapidada a fundo a fim de se extrair de dentro dela uma joia ou material precioso.
Foto 04: Metáfora da esmeralda bruta, presente junto ao filme.
Com o passar do filme, percebemos as tentativas de Shizuku de evoluir a fim de estar no mesmo patamar de Seiji, um garoto com planos concretos e o sonho de construir violinos fixo em sua mente. Decidida a avançar com ele e não se tornar um fardo em meio ao relacionamento que surge entre eles, Shizuku deve encontrar seu verdadeiro propósito em meio ao caos da adolescência e seus problemas familiares, entre amigos e acadêmicos.
Foto 05: Shizuku em seu processo criativo para criar a sua história que daria nome ao próprio filme, "Sussurros do coração".
A luta de Shizuku para transmitir seus sentimentos no papel, assim como todas as demais sub-tramas secundárias do filme são extremamente simples, mas puramente humanas e encantadoras em meio a sua natureza, característica clássica dos universos criados pelo estúdio Ghibli.
Levamos como moral da história que o amor a arte, seja ela a escrita, a música ou a literatura, pode nos levar a lugares nunca antes pensados. Uma paixão que não te desafie a romper os seus limites e trabalhar com algo novo nunca poderá ser considerada uma paixão, uma vez que o dom que uma pessoa possui evolui juntamente com a vontade que esse mesmo individuo tem de evoluir como ser humano, criando uma conexão de dentro pra fora.
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