Conheça, faixa a faixa, a história por trás do álbum mais caótico da história do Paramore.
Escrito por: Julia Segre Data: 08/07/2025 Atualizado em: 17/07/2025
Brand New Eyes- Novos Olhos, em português,
é o terceiro álbum de estúdio da banda Paramore em parceria com a gravadora Fueled By Ramen. Após três meses de
produção e composição das canções (Entre Janeiro e Março de 2009), o álbum teve
o seu lançamento anunciado para o dia 29 de Setembro de 2009, no mesmo dia do
aniversário de Josh Farro, guitarrista e fundador da banda estadunidense.
Misturando
os estilos de Pop Punk e Rock Alternativo, a coleção de músicas do Brand New Eyes, bem como o seu símbolo- a
famosa borboleta amarela- sugerem, em suas letras, a capacidade de se recuperar
e seguir em frente após experiências difíceis, abordando temas como
amadurecimento, mudanças, incertezas e crescimento pessoal.
(Figura 01: Integrantes do Paramore na era Brand New Eyes)
O Brand New Eyes ficou marcado por ser o
último álbum que encerraria a chamada “Era antiga” do Paramore, tendo sido
também o último trabalho dos irmãos Josh e Zac Farro- Fundadores da banda-
Antes de ambos anunciarem a sua saída do grupo no ano de 2010.
O contexto
que a banda passava no momento não era dos mais agradáveis. Após terem
cancelado parte da turnê The Final Riot por problemas internos, o Paramore estava
passando por um momento realmente delicado em seus bastidores. Após o sucesso
massivo do álbum Riot! , havia uma grande expectativa por parte dos fãs
e da crítica para o seu próximo trabalho, visto que o último tinha conseguido
ser ainda mais grandioso do que o primeiro.
Além disso,
os problemas internos não demoraram a aparecer. Os outros membros da banda-
amigos de infância, que estudaram e cresceram juntos na pequena cidade de
Franklin, nos Estados Unidos- estavam começando a se incomodar com a fama da
vocalista Hayley Williams, que se sobressaía ante aos demais, mesmo com todas
as atitudes de Williams em demonstrar que o Paramore era, na verdade, uma banda.
(Figura 02: Hayley segurando uma camiseta escrito: “Paramore é uma
banda”, posição que ela permanece sustentando até os dias atuais.)
Josh Farro, o guitarrista e também fundador da banda, estava particularmente incomodado com o assunto, chegando a alegar, mais tarde, que Hayley vinha tendo “ataques de estrelismo”. Os dois parceiros de composição tinham tido um relacionamento durante o ano de 2007, e aparentemente não estavam conseguindo lidar com as suas diferenças dentro e fora da banda, uma vez que, naquele período de crescimento, não apenas da própria banda, mas também físico e mental da mentalidade de alguns integrantes.
Hayley passou a se sentir cada vez
mais distante de sua fé e passou a criticar abertamente alguns posicionamentos
da fé cristã, apesar de ainda professá-la nos dias de hoje.
Williams
passou a transmitir este sentimento de mudança em suas músicas, o que
desagradou a Josh, seu principal parceiro de composição. Logo, se tornaria um
desafio colaborar com alguém com quem não é possível concordar nem mesmo a
respeito das questões mais básicas.
O processo
de composição do álbum foi, nas palavras da própria Williams: “Estressante”. As
músicas compostas refletiam a realidade que a própria banda estava enfrentando
no momento. Eles cantavam não apenas os seus problemas, como também os seus
sentimentos a respeito de tudo o que acontecia ao seu redor. As músicas, que
serviram para a banda como uma espécie de terapia, pareciam ter resolvido seus
problemas internos, e ao final do processo, o clima nos bastidores estava muito
melhor do que no inicio, de forma que Williams até declarou estar feliz pelos
problemas da banda terem chegado ao fim- O que acabou, no entanto, não
se mostrando verdadeiro, já que ambos os irmãos Farro acabaram anunciando sua
saída do grupo no ano seguinte.
A banda
contava, em sua formação, com Hayley Williams no vocal, Josh Farro como guitarrista,
e backing bocal, seu irmão Zac Farro na bateria, Taylor York na segunda
guitarra e Jeremy Davis no baixo.
(Figura 03: Capa do
terceiro álbum de estúdio do Paramore, Brand
New Eyes)
00. Intro
Uma canção rápida, com arranjos
marcantes e criada para realizar a abertura dos shows que a banda realizou em
turnê após o lançamento do álbum, a introdução de Brand New Eyes não chegou a
ser gravada em estúdio, e não se transformou, mais tarde, em uma das canções
alternativas jamais lançadas comercialmente pelo grupo, os famigerados b-sides, para grande descontentamento
dos fãs.
Apesar disso, inclui a introdução na
análise do álbum pois, apesar de não estar oficialmente incluída no disco, e
não ser encontrada oficialmente nos canais digitais, esta introdução se encaixa
perfeitamente com a proposta levantada pelo grupo, portanto merece a sua
atenção especial.
A melodia, acompanhada por uma letra
que reflete a desilusão infantil e a transição cruel do mundo da fantasia para
a realidade, relata a desconstrução de um mundo doce e infantil em meio a uma
quebra abrupta e cruel, que transformou tudo ao seu redor, conforme descrito na
frase: “Your daddy’s not a hero, he stole
your charlot” (Seu pai não é um
herói, ele roubou sua carruagem).
(Figura 04: Integrantes do Paramore
em uma das fotos promocionais do
álbum)
Já a segunda parte da música sofre
uma alteração brusca em seu significado, bem como as primeiras estrofes
sugeriram. Após afirmar que fez um lar para si mesma, e ao pedir para que ele não seja queimado com
fantasias, Hayley parece apelar para a realidade e para uma vida construída na
base da verdade, parecendo sempre, disposta a enfrenta-la, por mais dura e
cruel que ela seja.
01.
Careful
A primeira
faixa do Brand New Eyes propõe
exatamente aquilo que a banda quis transmitir como mensagem central do álbum:
mudança.
O tipo de
modificação que começa por dentro, para depois afetar o lado de fora. A mudança
interior que obriga o ser humano a mudar de atitude diante das coisas que lhe
acontecem.
Em sua
faixa de abertura, Paramore apresenta Careful
como um alerta a respeito de viver na zona de conforto. O eu lírico expressa e
desafia o seu ouvinte a tentar entender e enfrentar o mundo exatamente como ele
é, além de incentivá-lo a tomar as rédeas de seu próprio destino, uma vez que
passar a vida inteira tentando agradar os outros não pode trazer a verdadeira
felicidade, muito menos fazer com que a pessoa consiga alcançar seus
verdadeiros objetivos.
No trecho:
“Open your eyes like i open mine”, (Em tradução livre: “Abra seus olhos como eu
abri os meus”) Hayley sugere que viver a vida fora da zona de conforto pode ser
perigoso, mas ao menos é capaz de nos trazer a verdadeira liberdade, ideia que
é reforçada na estrofe “Truth never set
me free, so i did it myself” ( “A verdade nunca me libertou, então eu mesma
o fiz”), e que apesar da resistência natural de se prender aquilo que já é
conhecido por medo do que está por vir, apenas o desconhecido pode ser capaz de
responder as dúvidas que nos cercam , tornando a busca perigosa e arriscada,
mas também libertadora.
(Figura 05: Hayely Williams e Josh Farro, integrantes nos quais
moravam o centro das tensões que a banda enfrentava na época)
Careful consegue,
de forma magistral e impactante, cumprir exatamente o objetivo para o qual foi
projetada: tirar seu receptor da zona de conforto. Fazer com que ele reflita a
cerca de coisas que ele não quer, e força-lo a decidir se ele vai ou não tomar
uma atitude que pode mudar o panorama de sua vida.
2. Ignorance
Ignorance é uma das músicas mais sinceras de todo o
álbum- e de toda a discografia da banda. Trata-se de uma narrativa crua e
direta a respeito de uma relação entre duas pessoas que passou a ser tóxica
devido a mudança de atitude de um, que culminou em uma reação negativa por
parte de outro.
Como
quebra-cabeças irritantes, cujas peças não conseguem se encaixar, Williams
narra a deterioração desta relação, que vai se tornando cada vez mais abusiva a
medida que o eu lírico está diante de um julgamento injusto, onde ele se vê
rebaixado a condição de estranho, conforme evidenciado de forma irônica no
refrão da canção: “Well, nice to meet
you, sir “ (“Bem, prazer em te conhecer, senhor”)
O clipe
musical só deixa a mensagem da canção ainda mais clara. Presos em um local
apertado e desconfortável, a banda dá a entender que as diferenças entre o eu
lírico e o seu remetente são tão grandes que eles já não conseguem mais
conviver entre si de forma harmônica, como se o espaço de repente tivesse
ficado pequeno demais para eles.
(Figura 06: Banda reunida
no clipe de Ignorance)
A sufocante
intimidade que foi construída, e que logo foi transformada em crítica é
representada pela figura da lâmpada, e ao meu ver é uma alusão a culpa. A
vocalista Hayley Williams passa boa parte do videoclipe projetando a luz da
lâmpada em seus companheiros, como para ilustrar a distribuição da culpa em
terceiros.
(Figura 07: Hayley
apontando a lâmpada para um de seus companheiros)
Há outro
momento interessantíssimo no qual Williams aparece sozinha no que parece ser
uma projeção com diversos espelhos, demonstrando o interior do eu lírico, e a
forma como ele reage diante de todas aquelas críticas. Apesar da dor e da
sensação de estar sendo traído, o mesmo não recua, mantendo firme a sua
posição, conforme é evidenciado no trecho: “The
same tricks that, that once fooled me, that won’t get you anywhere. I’m not the same kid from your memory, now i can fend for mylsef.” (“Os mesmos truques que uma vez já me enganaram não vão te levar a
lugar nenhum. Eu não sou mais a mesma criança da sua memória, agora eu já posso
me defender sozinha.”)
Em dado
momento, Hayley aponta a lâmpada para a própria cabeça, segundos antes de todos
os membros da banda a rodearem, quase como uma nova tentativa de transferência
de culpa, mas a letra, bem como a batida envolvente e marcante, continua
mantendo os mesmos pensamentos do eu lírico, reforçando a ideia de que talvez
seja melhor “ir embora”, pois a evolução pessoal é mais importante do que
aqueles que não a reconhecem e não a valorizam.
(Figura 08: Hayley na
projeção de espelhos)
Ignorance é um hino para a incompreensão, e provavelmente
faz parte de uma longa lista de músicas nas quais todo ouvinte já deve ter se
identificado ao menos uma vez na vida. A letra fala sobre tentar consertar algo
que já está quebrado sem se comprometer no meio do caminho. Fala sobre querer
ter aquele alguém por perto, mas não estar disposto a retroceder para
alcança-lo. É sobre saber que fez mais do que o suficiente, e lamentar se a
outra pessoa simplesmente não consegue ver isso.
3. Playing God
Com um
título provocante e uma melodia ousada, Playing
God (em tradução livre: “Brincando
de Deus”) é uma canção que fala sobre hipocrisia, manipulação e obsessão por
controle, não apenas nas relações em si, mas também sob a vida das pessoas que
as compõem.
No
videoclipe, a vocalista Hayley Williams passa a assumir esse papel “ditador”,
de uma forma muito semelhante ao clipe de Ignorance.
Seus companheiros de banda, desta
vez, se encontram amarrados no porão de uma casa, completamente imobilizados e
a mercê de seus desejos e vontades.
(Figura 09: Membros da
banda amarrados no videoclipe de Playing
God)
O elemento
da lâmpada é substituído pela lupa, que é utilizada como ferramenta de análise,
ao verificar se os seus “prisioneiros” estariam agindo de acordo com aquilo que
se espera deles. O uso de fotografias antigas, no inicio do clipe, que são descartadas pela própria
Williams, que as admira, sugere que a mudança não é algo bem visto aos olhos do
ouvinte, que impulsiona o eu lírico a abandonar tais ideais, controlando sua
linha de raciocínio e tentando influenciá-lo de todas as formas possíveis.
Tal ideia se reflete perfeitamente nos trechos:
“You say that I've been changing, that
I'm not just simply aging, yeah, how could that be logical? Just keep on cramming ideas
down my throat.”
(Você diz que estou mudando, que não estou apenas envelhecendo, sim,
qual seria a lógica disso? Apenas continue enfiando ideias pela minha garganta.)
Mesmo em
meio á manipulação que sofre, o eu lírico se rebela contra o seu ouvinte, o
acusando de ”Brincar de Deus” em meio aos muitos julgamentos que recebe, além
de retratar perfeitamente a hipocrisia de seu acusador, sugerindo nos
trechos, “Next time you point a finger, I'll point you to the mirror.” (Da
próxima vez que você apontar um dedo, eu vou te apontar o espelho) que aparecem
diversas vezes ao longo da música, reforçando a ideia de que a pessoa que a
ataca está supostamente mais interessada em apontar as falhas dos outros do que
consertar as suas próprias, evidenciando o desequilíbrio do julgamento de seu
interlocutor, que se revela injusto e desigual.
(Figura 10: Hayley em frente de uma coleção de espelhos)
4. Brick by boring brick
Repleta de
metáforas e com um clipe que remete a doces memórias infantis, provindas dos
contos de fadas, Brick By Boring Brick
é uma canção que fala sobre a desconexão que entre fantasia e realidade, onde o
eu lírico narra a respeito de uma pessoa (possivelmente si próprio) que
construiu pra si um mundo fictício, retratado na letra como um
"castelo". Uma espécie de fortaleza que impede que ele consiga
enxergar e enfrentar o mundo como ele realmente é.
A canção,
que trata como tema principal a desilusão, também trás em seu clipe o elemento
do espelho, muito utilizado em Brand New
Eyes para abordar temas profundos como visão de mundo, hipocrisia e
reflexão interna, ao acompanhar a trajetória de uma garotinha que vê o seu
castelo, tão cuidadosamente construído, ir ruindo aos poucos com a chegada da
dura e cruel realidade.
(Figura 11: Cena do videoclipe de Brick By Boring Brick)
Com Hayley
assumindo um papel de telespectadora, observando a luta da garotinha e ajudando
a "enterrá-la" ao final da canção, podemos presumir que a música pode
também carregar uma mensagem ainda mais pessoal, como se Williams estivesse se
dirigindo a si mesma no passado.
(Figura 12: Cena final do videoclipe de Brick By Boring Brick, onde Hayley “ajuda” a enterrar o seu antigo
eu)
O trecho:
"Now she’s ripping off wings of
butterflies "(Agora ela está arrancando asas de borboletas) , além de
fazer referência a borboleta morta que ilustra o álbum, também pode simbolizar
a destruição da beleza e da inocência, a medida que o eu lírico se vê disposto
a sair do mundo projetado em sua cabeça para viver fora da realidade das
fantasias que podem ser facilmente frustradas pela realidade.
(Figura 13: Garotinha correndo com borboletas pregadas nas costas)
5. Turn It Off
Com um instrumental profundo e com direito a uma nota alta de Williams no final da ponte da música, Turn It Off é uma música que fala, entre muitas outras coisas, a respeito da perca de fé- seja ela religiosa, entre as pessoas ou até mesmo a crença em si mesmo.
O eu lírico admite suas próprias falhas, ao passo que também percebe que as pessoas as quais ele tanto admira e se inspira também estão aptas a ter os seus próprios erros e questões, conforme evidenciado no trecho: " i'm watching everyone i looked up to breaking, bending" (Eu estou vendo todos que eu admirava quebrando e dobrando) .
(Figura 14: Pôster oficial do Brand New Eyes)
A mensagem central na música é a percepção de que, mesmo em meio a tantas dúvidas e inseguranças, há uma parte boa em chegar ao mais extremo do pessimismo e da incerteza, pois só é possível melhorar depois de piorar.
Utilizando metáforas como o abismo para a sensação de estar totalmente sem esperança quanto ao futuro e ao que ele pode trazer, a banda infere que não é tão ruim estar no fundo do poço, por que uma vez lá dentro, a única opção que se torna possível é tornar a olhar para cima.
6. The Only Exception
A faixa mais famosa do álbum, e
provavelmente uma das músicas mais conhecidas da banda, The Only Exception fala, de
forma muito simples e aberta, do medo de amar. O eu lírico demonstra, ao longo
do que parece ser um relato pessoal sobre a sua vida desde da terna infância,
uma postura defensiva a respeito de relacionamentos amorosos, devido a uma
experiência negativa que seus pais tiveram em seu casamento, levando ao eu
lírico a crença de que o amor, na verdade, não existiria, conforme é reforçado
nos trechos: “And that was the day that i
promised , i’ve never sing of love if it does not exist“ ( E esse foi o dia
em que eu prometi, eu nunca cantaria sobre o amor, já que ele não existe, ) e “Maybe i know somewhere deeo in my soul that
love never lasts. And we’ve got to find other ways to make it alone “ (Talvez
eu saiba, em algum lugar no fundo da minha alma, que o amor nunca dura, e que
temos que achar outras maneiras de sobrevivermos sozinhos ).
(Figura 15: Hayley encarando uma fotografia de um casal em frente
ao espelho)
Ao repetir diversas vezes o mesmo
refrão, que diz que a pessoa amada seria, na verdade, a sua “única exceção”, a
banda sugere o rompimento dessa barreira, onde o eu lírico passa a acreditar no
amor e de repente se vê disposto a começar a se abrir para ter uma experiência
amorosa, a ponto de quebrar essa regra já estabelecida por ele.
(Figura 16: Frame do videoclipe de The Only Exception)
Com um clipe famoso e considerado
clássico por grande parte da geração que cresceu durante os anos 2000, Paramore trás diversos elementos interessantes que
reforçam a ideia da canção clássica de amor adolescente, que transmitem a visão
do eu lírico a respeito do amor; desde do jantar com diversos candidatos, que
vem e vão rapidamente, ilustrando um amor descartável, até a cena de um
casamento, onde Williams propositalmente veste roupas pretas, enquanto todos os
demais convidados da cerimônia vestem branco, uma forma de representar o quão
contrário o eu lírico se sente quando o assunto são relacionamentos, devido as
suas experiências e traumas do passado.
(Figura 17: Cena do casamento no clipe The Only Exception)
Com a famosa aparição da vocalista
deitada sob uma porção de cartões de amor- confeccionados pelos próprios fãs- The Only Exception é uma música que se encaixa perfeitamente no
álbum com a proposta que ele trás aos seus ouvintes, uma vez que, assim como
todas as demais faixas, o eu lírico está enfrentando um medo, uma insegurança,
uma incerteza- a fim de sair de sua zona de conforto para buscar algo novo,
embora, diferentemente de Brick By Boring
Brick, o narrador se encontra com os “pés firmes na realidade”, conforme
evidenciado no trecho: “I’ve got a tight
gripo n reality, but i can’t let go what’s in front of me here “. (Eu tenho
muita noção da realidade, mas não posso abrir mão do que está bem na minha
frente.)
E embora esteja inseguro e tenha
motivos que sustentem toda a resistência formada a respeito da busca da pessoa
ideal, The Only Exception trás uma mensagem crucial; se seus sentimentos
são bons, deixe-se dominar por eles.
(Figura 18: Frame do videoclipe de The Only Exception)
7. Feeling Sorry
Com um ritmo forte, e uma letra que
sugere, assim como todo o resto do álbum, o crescimento pessoal, Feeling Sorry é uma faixa que
exemplifica a situação de alguém que se cansou de ver o mundo sempre com os
mesmos olhos, e que resolve tentar enxergar as coisas através de uma nova
lente, quebrando os mesmos hábitos de sempre, e como consequência, deixando
para trás certas relações que parecem ter ficado na mesmice.
O eu lírico destaca que a pessoa
mencionada poderia mudar- e tem plena ciência disso- mas que acabou optando por
permanecer dentro da zona de conforto. O trecho "I feel no sympathy, you live inside a cave " (Eu não sinto
simpatia, você vive em uma caverna. ) utiliza a caverna como uma metáfora para
este isolamento voluntário e a recusa em enfrentar a realidade.
Esta canção nos faz refletir que
talvez a compaixão seja um sentimento totalmente vão se a pessoa não quer
ajudar a si mesma.
(Figura 19: Membros do Paramore
durante anúncio promocional da turnê do Brand New Eyes)
8. Looking Up
Junto com sua "irmã", Where The Lines Overlap, Looking Up é única faixa animada do álbum Brand New Eyes. Com uma melodia vibrante e uma letra encorajadora, a canção reflete diretamente o clima positivo que se fazia presente entre os membros da banda após o final das gravações do terceiro álbum.
Trechos como "Things are looking up, oh finally! I thought i'd never see the day when you smile at me" (As coisas estão melhorando, finalmente! Eu pensei que nunca mais veria o dia em que você sorriria pra mim.) reforçam ainda mais esta impressão.
A canção realmente trazia a ideia de que os problemas que o grupo enfrentava haviam sido resolvidos- o que, com o passar do tempo, para o grande pesar não só dos músicos, como também de seus fãs, acabou não se mostrando verdadeiro. Este fato contribuiu para que essa música se tornasse, assim como a conhecidíssima Misery Business, uma faixa evitada pelos membros da banda em seus shows, que não envelheceu muito bem, trazendo um certo gosto amargo quando a letra, de cunho tão positivo e otimista é comparada com a dura realidade do que acabou acontecendo por trás dos panos, com a saída dos irmãos Farro da banda, e consequentemente do baixista Jeremy Davies, logo no álbum seguinte, o auto-entitulado Paramore.
Esta canção poderia ser facilmente considerada a faixa final do álbum no ponto de vista da própria banda, uma vez que ela apresenta a conclusão de todos os conflitos internos que eles passaram durante a concepção do Brand New Eyes.
O trecho: "Deus sabe que o mundo não precisaria de mais uma banda- mas que desperdício teria sido" sugere uma realidade especial para os fãs da banda, que sabem que talvez, para o mundo, o Paramore seja apenas mais uma banda, mas que suas canções refletem um significado importantíssimo para a legião de seus fãs que tanto se identificam com tais músicas, de forma que seria um desperdício simplesmente não produzi-las.
Fora das lentes claramente pessoais e internas que a música apresenta, Looking Up fala sobre chegar muito longe em seus objetivos, a ponto de ter o luxo de declarar que "Não é mais apenas um sonho".
Uma vez realizado o grande objetivo de sua vida, é necessário cultivá-lo. Lutar por ele. Garantir que ele cresça e se estabeleça. Não é porque uma meta foi alcançada que os obstáculos simplesmente vão desaparecer; pelo contrário, eles continuam ali. Williams relata o período turbulento que o grupo passou, focando sempre nesses obstáculos que apareciam, sem serem capazes de enxergar de forma macro o tamanho do benefício que eles estavam vivenciando- o grande auge de suas carreiras.
Alguns trechos sugerem essa falta de gratidão por aquilo que já foi conquistado devido as preocupações e a negatividade do dia-a-dia: "Taking for granted most everything that i would've died for just yesterday" (Desprezando quase tudo que eu teria morrido para ter apenas ontem).
Neste discurso poderoso, Paramore afirma e reafirma que nada é mais valioso do que lutar pelos seus sonhos, e que sempre é possível superar os obstáculos se a sua vontade de vencer for maior do que eles.
(Figura 20: Foto promocional da banda durante a era Brand New Eyes)
9. Where the lines overlap
Mantendo o clima de positividade
outrora transmitido por Looking Up, Where
The Lines Overlap é uma canção de amor de cunho animado que fala sobre a
conexão entre duas pessoas.
Possivelmente baseada em
relacionamentos a longa distância, a música tem um teor otimista ao afirmar que
“Ninguém é mais sortudo do que eles”, e que embora o objetivo ainda não tenha
sido alcançado, seria apenas uma questão de tempo até todas as peças de
encaixarem de volta em seus devidos lugares.
(Figura 21: Foto promocional da banda durante a era Brand New Eyes)
No trecho: “ I’ve got a feeling if i sang this loud enough you would sing it back
to me“ (Eu tenho a sensação que, se cantar alto o suficiente, você cantará
de volta pra mim)a banda sugere que a distância física entre duas pessoas
jamais poderá ser um obstáculo para manter a chama de um sentimento acesso se
ele for, de fato, recíproco.
10. Misguided Ghosts
Carregada de metáforas e com um ritmo levemente destoante de todo o restante do álbum, Misguided Ghosts narra a busca por identidade em meio ao sentido da vida.
Reconhecida por ser a canção mais introspectiva do álbum, e uma das composições mais poéticas da história da banda, a música de pouco mais de dois minutos, explica de maneira delicada a mensagem central do Brand New Eyes, evidenciada no trecho: "I'm trying to find my place, but it might not be here where i feel safe" (Eu estou tentando achar o meu lugar, mas pode não ser aqui, onde eu me sinto segura)
Ao se comparar com um fantasma que vaga de forma solitária em busca de um propósito, o eu lírico não se importa em estar perdido. "Don't need no roads, in fact they follow me" (Não preciso de estradas, na verdade, elas me seguem.)
Ciente de estar na direção contrária da maioria, ele foca em sua evolução pessoal em busca de cultivar relações verdadeiras a fim de encontrar alguém em quem confiar.
A estrofe "We all learn to make mistakes and run from them" (Todos nós aprendemos a cometer erros e fugir deles) sugere que o eu lírico está tentando quebrar esse costume, admitindo de forma aberta suas fraquezas a fim de encontrar um verdadeiro sentido em meio a toda a crise que está vivendo.
(Figura 22: Fotografia da banda durante a era Brand New Eyes)
11. All I Wanted
Faixa que encerra o álbum, All I Wanted é uma poderosa- mas melancólica- canção de amor, onde o eu lírico deseja profundamente alguém que não se pode ter devido a distância que ele se encontra diante de seu objeto de desejo.
Escrita por Hayley Williams e Taylor York, a canção trás repetidamente a ideia de ver na pessoa amada toda a fonte de sua felicidade- No famoso refrão: "All i wanted is you" (Tudo o que eu queria era você), dando ênfase a esse sentimento tão profundo e intenso, evidenciado ainda mais pelos vocais fortíssimos e a nota máxima de Williams após a ponte da música.
O trecho: "Maybe then we'll remember to slow down at all of our favorite parts." (Talvez então a gente se lembre em desacelerar em nossas partes favoritas) sugere não apenas a sensação de nostalgia, mas também a vontade de corrigir os erros do passado, além de valorizar mais ainda os bons momentos que passou ao lado desta pessoa tão especial.
All I Wanted é uma das canções mais famosas da banda, chamando atenção por sua letra romântica, instrumental poderoso, e especialmente por conta dos vocais extremamente difícei#3098D9s de serem reproduzidos. A faixa chegou até mesmo a ser tema de desafios na internet, onde diversas pessoas de todas as partes do mundo gravavam covers da nota mais alta da composição, a fim de "verificar" se era possível alcançar tamanha técnica que Williams demonstrou em estúdio.
(Figura 23: Desafio de All I Wanted no Youtube)
Apesar disso, a canção demorou mais de dez anos para ser tocada ao vivo pela banda estadunidense. Após o lançamento do terceiro álbum de estúdio do Paramore, em 2009, a vocalista teve problemas relacionados a sua saúde vocal, e durante muito tempo teve inseguranças em relação a música e a sua falta de capacidade de cantá-la ao vivo devido a problemas de saúde.
Após muito tempo recebendo o apoio dos fãs e também de seus companheiros de banda, Hayley enfim conseguiu se recuperar, não apenas dos seus problemas relacionados a voz, mas também a respeito de suas inseguranças relacionadas a esta música, que foi performada ao vivo pela primeira vez apenas no ano de 2022.
(Figura 24: Hayley performando All I Wanted em uma participação especial em um show da cantora Billie Elish)
Desde então, a faixa tem sido utilizada de forma recorrente pela banda, mostrando a superação desta canção, que encerra um álbum com uma presença tão marcante, tanto nos vocais quanto nos inúmeros conflitos entre os bastidores que fazem parte de toda a complexidade que apenas esta banda é capaz de apresentar.
Com onze faixas, cinco videoclipes e noventa e nove por cento de aprovação da crítica, apresentamos o Brand New Eyes; o álbum mais caótico da história do Paramore.
(Figura 25: Banda reunida em meados em 2009.)
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