Por que Detroit Become Human é o melhor jogo dos últimos tempos.
Escrito Por: Julia Segre Data: 22/09/2025 Atualizado em: 22/09/2025
Com uma história profunda e marcante, digna de um filme, e para muitos outros, de uma continuação, Detroit Become Human é um jogo de vídeogame lançado em 2018 pela Quantic Dream, disponível originalmente para Playstation 04 e PC, embora sua versão deluxe tenha sido disponibilizada para Playstation 03 e também seja possível realizar a gameplay no Playstation 05, devido ao recurso de compatibilidade.
A história, que se encaixa no gênero de drama interativo, acompanha a trajetória de três personagens principais: Connor, Kara e Markus, em meio a uma Detroit futurista no ano de 2038. O tema central da trama é o fato de que os androids, máquinas criadas a imagem e a semelhança dos seres humanos, produzidas para facilitar suas vidas ao máximo possível, começam, na verdade, a dificultá-las.
Com a mão de obra humana sendo substituída por Androids, a tensão entre as duas raças aumenta de forma gradativa, chegando ao seu ápice quando os androides passam a desenvolver personalidade e consciência, rebelando-se contra seus senhores e dando inicio ao que seria uma revolução geral das máquinas.
Foto 01: Fotografia oficial de Detroit Become Human.
É extremamente interessante quando passamos a refletir o quanto a história de Detroit se conecta aos dias de hoje, embora tenha sido lançada antes mesmo a Inteligência Artificial ser utilizada diariamente por boa parte das pessoas.
O jogo, ambientado em um futuro não muito distante do nosso, passa a ser cada vez mais atual a medida que os dias vão se passando, além de retratar inúmeros problemas que a sociedade atual enfrenta, como o tráfico de drogas, crimes, prostituição e abuso infantil, além de fazer referências a movimentos históricos como o holocausto, despertando em seu jogador diversos sentimentos a medida que ele vai prosseguindo com a jogatina.
Com um elenco de peso e um gráfico espetacular, Detroit explora diversas possibilidades em meio a sua história principal. O jogo dá ao player inúmeros caminhos a percorrer em meio a um leque de opções, onde cada escolha afeta profundamente a história e as consequências que ela trás.
Foto 02: Foto do jogo Detroit Become Human.
Em um mesmo capítulo, diversos finais ficam disponíveis a escolha do jogador, de maneira que cada decisão que é tomada altera diretamente as ações, falas e até mesmo o destino dos personagens.
Ao final de cada episódio, é possível visualizar um mapa, onde é exibido o caminho que o jogador traçou, baseado nas decisões que foi tomado a levar durante a narrativa. O mapa foi pensado em forma de labirinto, de forma que é possível visualizar todos os desvios que a história faz, além de carregar pontos de salvamento, onde é possível realizar a gameplay de um determinado ponto específico, ao invés de começar tudo do princípio.
Se o player optar por jogar o mesmo capítulo novamente, mas com escolhas diferentes, o mapa salva o novo final para que você possa ter a oportunidade de completar o diagrama com todos os finais possíveis, além de ser capaz de ver as estatísticas mundiais e as de amigos que jogaram o mesmo capítulo que você, verificar se a escolha que foi tomada se enquadra a maioria ou a minoria dos jogadores, entre muitos outros.
Foto 03: Diagrama do capítulo em Detroit Become Human.
É totalmente impossível falar de Detroit sem mencionar seus protagonistas, Kara, Markus e Connor. Ao longo da narrativa, somos apresentados aos três personagens, e os acompanhamos em diversas situações em meio a suas histórias que parecem paralelas até o próprio jogo colocar um protagonista diante de outro, e dependendo das escolhas do jogador, os três protagonistas unidos em prol de um único objetivo.
No prólogo do jogo, somos apresentados a Connor, o primeiro protagonista do jogo. Sendo o protótipo mais avançado que a CiberLife, empresa responsável pela criação de máquinas semelhantes a seres humanos, foi capaz de projetar, Connor é um investigador policial, que tem a difícil missão de caçar divergentes, nome dado aos androides que possuem consciência e se rebelaram contra as ordens de seus donos.
Foto 04: Connor, um dos protagonistas de Detroit Become Human.
Na sequência, somos apresentados a Markus, o android pessoal de um pintor renomado chamado Carl Manfield. Markus é um modelo único e com aparência exclusiva, um presente pessoal que Carl recebeu de Elijah Kaminsky, na época CEO da CiberLife. Ao contrário dos demais androids, Markus sempre foi incentivado a se comportar e a pensar como um humano, e era tido como filho pelo próprio Carl. Após um evento (que pode ser devidamente alterado, dependendo da escolha do jogador) trágico, Markus é atingido por uma bala policial e enviado para um ferro-velho, local destinado a desativação de androids.
Foto 05: Ferro-velho onde Markus foi enviado.
Após sobreviver aquele local tenebroso, Markus já não é mais o mesmo, e se tornará o grande líder de uma revolução androíde, que poderá ser pacifica ou violenta, dependendo da escolha do jogador.
Foto 06: Markus, um dos protagonistas de Detroit Become Human.
Por último, mas não menos importante, somos apresentados a Kara, a terceira protagonista de Detroit Become Human. Ao contrário dos dois primeiros, Kara não é uma androide especial de modelo ou série únicas. Na verdade, Kara é uma androide comum, destinada a fazer trabalhos domésticos. Após ter sua memória resetada devido a um "acidente de carro", Kara retorna seus afazeres na casa de Todd Williams, seu violento e instável dono, até se deparar com a pequena Alice, filha do traficante, e perceber que a partir daquele momento, as coisas não seriam mais as mesmas.
Foto 07: Kara, uma das protagonistas de Detroit Become Human.
Cada protagonista possui a sua própria trilha sonora, seu próprio círculo social (com personagens secundários e terciários tão interessantes quanto os protagonistas) e seus próprios capítulos, com exceção dos capítulos que trabalham a luta por Detroit, se de fato ela acontecer.
Apesar de não ser necessariamente uma personagem, e de androids com o mesmo modelo e aparência fazerem uma aparição no capítulo "Encontrando Kaminsky", (Considerado por muitos o capítulo decisivo do jogo) a androide Chole merece ser mencionada nessa resenha.
A máquina carismática e bem humorada guia o jogador através do menu, explicando como o jogo funciona, além de fazer inúmeros comentários durante a gameplay, se emocionando em trechos da história e demonstrando insatisfação caso suas escolhas sejam negativas, e até mesmo chegando a cantar canções ou fazer votos de ano novo.
Foto 08: Chole, a androide que fica no menu principal do jogo.
Mas o fato mais interessante a respeito de Chole é ao final da gameplay, onde a androide admite que ficou muito tocada pela história, e pergunta ao jogador se ele concorda em libertá-la.
Foto 09: Pedido de Chole em Detroit Become Human.
Caso o jogador aceite realizar o pedido da Androide, a mesma vai embora do menu principal e nunca mais retorna, a não ser que o jogo seja reiniciado.
Foto 10: Menu limpo, sem a presença de Chole, em Detroit Become Human.
O jogo também conta com uma sessão interessantíssima de extras. É possível acumular pontos durante a gameplay, que podem ser gastos comprando personagens com diversas aparências na aba personagens, pacotes de imagens contendo os primeiros esboços da história, bem como alguns cenários que acabaram nem indo para a versão oficial, e as músicas utilizadas no jogo, sejam elas temas dos protagonistas ou músicas que são reproduzidas em ambientes específicos do jogo, como a casa noturna Clube Éden ou o Canal 16, a emissora de televisão presente na narrativa.
Foto 11: Exemplo de personagem comprado na sessão de personagens. Na sequência, comparativo de como a personagem Amanda foi desenhada e como ela foi desenvolvida oficialmente no jogo, e por fim fotografia que exibe um dos temas musicais do jogo, com um comentário do artista sobre como foi desenvolver aquela faixa.
Há também uma sessão exclusiva de curtas metragens exclusivos relacionados ao jogo, incluindo também making offs de como o game foi produzido e entrevistas oficiais com os criadores e desenvolvedores de Detroit, além dos bastidores do processo de produção.
Foto 12: Bastidores de Detroit Become Human.
O único ponto negativo de tais vídeos é que eles não possuem legenda, o que torna os mesmos de difícil compreensão para os jogadores que não tem conhecimento do idioma norte americano.
Ao final da gameplay, também é disponibilizada uma pesquisa para que os jogadores respondam. Apesar de não ser obrigatório, ela é interessantíssima e merece um tempo da atenção dos jogadores.
Após a conclusão do teste, um diagrama semelhante ao que costuma aparecer após a finalização do episódio surge, exibindo os índices globais de resposta.
Foto 13: Pesquisa de Detroit Become Human.
No mais, Detroit Become Human é um jogo extremamente complexo, bem trabalhado e que carrega uma mensagem importantíssima, cada vez mais necessária nos dias atuais, deixando ao jogador a difícil verdade de que, as vezes, é mais fácil encontrar humanidade nas máquinas do que nos próprios seres humanos.
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