Obra prima de Victor Hugo, escrita em 1862 trás aspectos que encantam leitores até os dias atuais.
Escrito Por: Julia Segre Data: 16/10/2025 Atualizado em: 20/10/2025
Considerada a obra prima de Victor Hugo e também parte dos grandes clássicos da Literatura Mundial, Os Miseráveis é um romance que trata, como seu próprio título sugere, da marginalização.
Nele, somos apresentados a todas as formas de segregação existentes na sociedade, em meio a personagens envolventes, um enredo surpreendente e cativante e com direito a Revolução Francesa se desenrolando como pano de fundo.
Foto 01: Victor Hugo, autor de “Os Miseráveis”.
O romance, que ainda é capaz de cativar leitores de todas as idades ao redor do mundo todo, está disponível, assim como todos os livros que são tidos como “obrigatórios” e “fundamentais”, disponíveis em todos os formatos, linguagens e tamanhos, embora a sua versão original, escrita em 1862 tenha mais de mil e quinhentas páginas.
A obra francesa é frequentemente adaptada para o teatro, porém o musical produzido em 2012 pelo diretor Tom Hopper chamou muito a atenção da crítica e do público em geral, com seu elenco de peso e com a história de Victor Hugo ganhando vida em meio a temática musical que o filme propõe.
Foto 02: Capa do Filme Os Miseráveis (2012).
O longa metragem venceu, ao todo, três Oscars, um como Melhor Mixagem de Som, um como Melhor Maquiagem e Penteados e um como Melhor Atriz Coadjuvante, prêmio dado a atriz Anne Halthaway, que foi premiada devido ao seu trabalho interpretando a personagem Fantine.
Foto 03: Anne Halthaway como Fantine.
A história acompanha o protagonista Jean Valjean, um homem que passou boa parte de sua vida preso nos piores presídios da França (os chamados Galés) após, em um ato de desespero para alimentar sua família, ter roubado um pão. Suas inúmeras tentativas de escapar daquele destino mais cruel foram agravando cada vez mais a sua sentença a ponto de torna-lo um homem temido e perigoso. Após um encontro surpreendente com um padre, Jean Valjean resolve, de fato, mudar completamente a sua vida.
A história, inspirada em um caso real de um homem que havia sido condenado por quebrar a vidraça de uma padaria para roubar um pedaço de pão e também por um ladrão chamado Eugène-François Vidocq, considerado o pai da criminologia moderna, é marcante do inicio ao fim, surpreendendo o leitor em diversos pontos de sua narrativa.
Nas palavras do próprio autor, “Enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis."
Portanto, nesta resenha, vamos falar um pouco mais sobre este clássico francês.
Primeiro Contato com Os Miseráveis
É impossível falar de Os Miseráveis sem compartilhar o meu primeiro contato com esta obra literária. Este livro foi selecionado para ser o paradidáticos do último bimestre que cursei do nono ano do ensino fundamental, portanto, era um livro de leitura obrigatória em minha classe.
A maioria dos alunos considerava uma chateação ter de ler um livro para conseguir alguns pontos para fechar a nota, mas ler, para mim, nunca foi um desafio ou um sacrifício. A edição que fomos presenteados pertence a FTD e possui um pequeno almanaque repleto de curiosidades a respeito do livro, da obra, do autor e de seus personagens.
Foto 07: Exemplar de Os Miseráveis, da FTD.
Comecei a leitura assim que fui autorizada pela professora de português, e quando menos dei por mim estava completamente hipnotizada pela história e pelos personagens. Não demorou nem um pouco para começar a compartilhar a narrativa com amigos e parentes, e especialmente meu irmão mais novo, a maior vítima de toda a minha animação constante. Mas, para a minha grande surpresa, todos os meus colegas da escola, mesmo aqueles que não estavam habituados a ler e que consideravam essa tarefa um verdadeiro martírio simplesmente mergulharam na história e se encontravam tão apaixonados quanto eu, o que trouxe felicidade e união para a nossa pequena sala de aula de vinte e poucos alunos.
A professora, vendo como estávamos empolgados com a história e o quanto gostávamos do universo criado por Victor Hugo, propôs que expandíssemos a atividade obrigatória para algo maior; nós iriamos fazer uma peça de teatro para apresentar aos pais. Estávamos tão empolgados!
Ainda me lembro quando a professora propôs para que eu escrevesse o roteiro da peça, com o auxílio de dois amigos. Me senti tão orgulhosa por ela ter me escolhido para desempenhar esse papel de “Chefe” que contei a novidade para todos os meus amigos. Ela já sabia que eu escrevia e sempre me deu todo o apoio para desenvolver o meu talento, mas ter uma oportunidade real de colocar em prática aquilo que quero seguir para o resto da vida foi muito especial e eu nunca me esquecerei da sensação de ligar o computador, encarar a tela em branco e pensar: minha nossa, estou fazendo um roteiro!
Além disso, a mesma professora me selecionou para fazer o papel de Fantine, devido ao fato de não haver garotas o suficiente na sala para desempenhar essa função. Fiquei muito impressionada quando ela me pediu para interpretar Fantine; lembro de ter perguntado: Fantine? Tem certeza?
Chegamos a ensaiar algumas vezes, e eu escrevi cerca de metade do roteiro, mas infelizmente a peça nunca chegou a, de fato, acontecer, devido a uma mudança no cronograma estudantil realizada pelo diretor da escola. Apesar disso, essa “quase experiência” foi extremamente inesquecível para mim e serviu para nos conectar com essa obra tão fantástica.
Segundo Contato com a versão estendida
Meu segundo contato com Os Miseráveis foi já depois de adulta. Assim que iniciei os preparativos para começar a escrever o Literatura da Meia Noite, eu sabia que em algum momento eu iria abordar este livro por aqui, já que o Literatura abriga todas as minhas coisas favoritas do mundo, e com meu livro de ficção favorito com certeza não seria diferente.
Comprar a edição estendida foi um desafio e ao mesmo tempo uma realização. Eu estava mais do que curiosa para descobrir quais eram os detalhes que haviam sido omitidos na versão reduzida (embora, precise dizer, que a versão condensada cumpre muito bem o seu papel em resumir os principais eventos da obra) e saber um pouco mais de personagens que não aparecem na primeira versão que eu havia lido, como Enjolras e Courfeyrac.
Apesar das longas descrições dos cenários e paisagens da história e das divagações de política e contextos históricos, algo comum para o estilo de escrita na época, consegui aproveitar muito a minha leitura da versão original de Os Miseráveis. Há muitas reviravoltas que me deixaram louca só de imaginar que os editores não colocaram tal acontecimento dentro da versão reduzida, como personagens que são “bonzinhos” na versão condensada mas são verdadeiros vilões na versão estendida, personagens que não são o que aparentavam ser, traições e injustiças que alguns personagens cometem e sofrem ao longo da narrativa são apenas alguns dos principais temas com os quais me deparei.
Foto 08: Versão estendida de Os Miseráveis, disponível apenas em capa dura.
Conclusões
Após todos esses anos sendo uma fã assumida desta obra e admirando a forma como os personagens são construídos e como a narrativa consegue se desenrolar tão perfeitamente e de maneira tão surpreendente- muitas vezes no meio de uma cena completamente comum, pra te pegar no pulo mesmo- concluo que ambas as duas versões são necessárias para que possamos entender o tamanho da riqueza do universo criado por Victor Hugo, embora a versão estendida seja mais indicada para aqueles que realmente amam a obra como num todo.
Para leitores menos afoitos, basta assistir ao filme, ler a versão condensada e trocar boas figurinhas com os mais fanáticos para se aprofundar (e, é claro, se surpreender) com todos os detalhes que permeiam esse universo.
Por mais paradidáticos que incluam Victor Hugo nos currículos escolares de pré-adolescentes prestes a ingressarem no Ensino Médio. Isso muda vidas.
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